O Irã não deu resposta à proposta dos EUA sobre o programa nuclear. Analista Lourival Sant’Anna aponta que a demora não é só rejeição, mas uma estratégia para obter melhores condições, usando o tempo a seu favor.
Segundo o analista, o Irã quer manter o direito de desenvolver seu programa nuclear, sob inspeções da AIEA, sustentando que o acordo de 2015 continua como referência. A gestão do tempo seria superior à de Washington no cenário político.
Sant’Anna destaca que, mesmo com sanções econômicas severas, o regime iraniano acredita ter apoio suficiente para sustentar o custo político por mais tempo que seus interlocutores. A CIA, diz o analista, estima que o país pode durar até quatro meses nesse aperto.
Diplomacia e geopolítica
No âmbito diplomático, um carregamento de gás natural liquefeito do Catar atravessou o Estreito de Ormuz sem incidentes pela primeira vez desde 28 de fevereiro, apontando sinal de normalização regional. O primeiro-ministro catariano esteve na Flórida em reunião com o senador Marco Rubio e com o enviado especial de Trump para o tema.
O Catar surge como mediador, segundo Sant’Anna, fortalecendo seu papel histórico em conflitos envolvendo Gaza. O analista afirma que o Irã facilitou a passagem do navio, sugerindo coordenação entre as partes. A China é citada como ator decisivo, dada a dependência de Pequim em relação ao petróleo iraniano.
A China e o Irã teriam alinhado posições após reunião entre o chanceler iraniano e o equivalente chinês, Wang Yi. Observadores apontam que Pequim pode usar seu peso para influenciar as negociações, dada a relevância de 90% das exportações iranianas para a China. O Paquistão também atua como intermediário com apoio chinês.
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