William Harrison, soldado norte-americano, foi condenado e executado pela morte de Patsy Wylie, de sete anos, em 1944 na Irlanda do Norte. O crime ocorreu em um povoado de Tyrone, quando o militar visitou a casa da família Wylie para oferecer guloseimas às crianças.
Na tarde de 25 de setembro de 1944, Harrison levou Patsy para fora com a desculpa de comprar doces. Acompanhara a menina ao longa de campos vizinhos, vindo a cometer o ataque seguido de assassinato. Depois, ele deixou o corpo de Patsy em um feno e foi ao pub.
A investigação apontou que Harrison já conhecia a família de Patsy, tendo se aproximado anteriormente. O caso foi registrado como uma violência grave durante a Segunda Guerra Mundial e ficou marcado na memória local.
Novo foco de pesquisa
Annie Kalotschke, sobrinha de Patsy, reuniu depoimentos, relatos familiares e documentos, inclusive a transcrição do julgamento de 660 páginas. O objetivo é esclarecer desdobramentos que vão além da sentença de 1945.
Kalotschke está preparando um livro ainda não publicado, intitulado Never Speak of Rope. A pesquisadora revisita a trajetória de Harrison, seus antecedentes e as consequências duradouras do caso para a família Wylie.
O retrato traçado aponta que Harrison tinha histórico de comportamentos problemáticos e amargura familiar. Após ingressar no Exército, enfrentou disciplina por bêbado e amnésia, antes de ser designado à base em Cluntoe, Tyrone.
O caso é descrito como exceção entre crimes cometidos por militares dos Estados Unidos na região, com Harrison sendo o único americano condenado por homicídio de criança no Teatro Europeu da Segunda Guerra.
As novas leituras também revelam que os pais de Harrison tentaram pedir clemência ao governo dos EUA, sem sucesso. A execução ocorreu em 7 de abril de 1945, em Shepton Mallet, com duração de 20 minutos.
Rumores locais chegaram a sugerir que Harrison tenha sido poupado ou enviado a combater na França, o que refletia o assombro da população com o crime. A tragédia também impactou a família Wylie.
Para a família, o trauma se manteve por décadas. Patsy, a menina morta, ganhou voz novamente por meio da linha de investigação de Kalotschke, que busca corrigir boatos herdados.
A pesquisadora afirma que a divulgação do caso não encerra a dor, mas oferece um caminho para a compreensão histórica. Em recente palestra, familiares participaram de uma visita à antiga prisão de Shepton Mallet.
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