Dois ex-prisioneiros ucranianos e familiares relatam abusos graves ocorridos em prisões na Rússia, com relatos de espancamentos, choques elétricos e outras formas de violência física e psicológica. As informações são baseadas em depoimentos coletados pela AFP e por organizações de direitos humanos.
Os relatos apontam que jovens prisioneiros eram alvo de agressões frequentes, inclusive por discutir com guardas. Um ex-funcionário dos serviços penitenciários afirmou que as agressões eram frequentes e que alguns presos teriam ficado com lesões severas, incluindo hematomas nas nádegas e coxas. O número de vítimas, segundo os relatos, alcança centenas de detidos.
A AFP não conseguiu identificar nomes nem presídios específicos por segurança. Três ex-integrantes da administração penitenciária russos, que desertaram, confirmaram casos de violência sistemática, segundo as fontes. Organizações de direitos humanos associadas a Vladimir Osechkin, que coordena a Gulagu.net, colaboraram com os relatos.
Abusos e contexto
Relatórios da OSCE e de ONGs indicam que a violência em detenção é generalizada, com boa parte dos liberados relatando maus-tratos. Autoridades ucranianas citadas pela OSCE apontam altas prevalências de violência entre detidos, incluindo casos de violência sexual em parte das situações relatadas.
A Promotoria ucraniana registra mortes de pelo menos 143 prisioneiros ucranianos em prisões russas desde o início do conflito. Em 2026, estimativas oficiais indicam milhares de prisioneiros de guerra e civis detidos irregularmente em territórios sob controle russo ou na Ucrânia ocupada.
Alguns relatos descrevem condições desumanas, com isolamento extremo, privação de comunicação e higiene precária. Casos de transplante de métodos de controle social em prisões foram citados por ex-funcionários, que destacaram uma cultura de permissividade para a violência.
Reações e desdobramentos
A administração penitenciária russa não respondeu aos questionamentos da imprensa. Em 2025, o presidente Vladimir Putin afirmou que Moscou trata prisioneiros de forma humana, sem detalhes sobre investigações ou medidas disciplinares. O ativista Vladímir Osechkin solicita ações judiciais internacionais e a identificação pública dos responsáveis.
No cenário internacional, organizações de direitos humanos e autoridades internacionais acompanham os relatos, enquanto a guerra entre Rússia e Ucrânia entra em seu quarto ano. O uso de métodos de coerção em prisões é tema sensível em discussões sobre compliance e direitos humanos.
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