O governo alemão reagiu com cautela à sugestão de Vladimir Putin de que o ex-chanceler Gerhard Schröder atue como mediador em negociações de paz na guerra da Ucrânia. Fontes oficiais disseram à AFP que houve apenas uma leitura dos comentários, vistos como parte de uma série de propostas “buscas de atenuação” de Moscou. Um teste real, dizem, seria a extensão da trégua vigente.
Schröder, hoje com 82 anos, manteve laços com Putin após deixar o cargo, mantendo-se afastado de muitos líderes ocidentais desde a invasão de 2022. Ele já foi ligado a projetos energéticos russos, incluindo Nord Stream, e integrou o conselho de direção da Rosneft, cargo que deixou em 2022. Putin afirmou, no fim de semana, que vê a guerra como chegando ao fim e indicou Schröder como possível negociador.
Membros do SPD divergem quanto à indicação. Michael Roth, ex-deputado e presidente da comissão de assuntos exteriores, afirmou que o mediador não pode ser amigo de Putin e precisa ter aceitação de Kiev. Outros parlamentares da sigla sinalizaram maior abertura à proposta, avaliando-a com cautela junto a parceiros europeus.
Entre os críticos e apoiadores, há um debate sobre o papel da Europa. Adis Ahmetovic, porta-voz do SPD, disse que a ideia merece avaliação cuidadosa com parceiros, enquanto Ralf Stegner sugeriu que a Europa não pode deixar decisões apenas a Moscou e Washington e deve aproveitar oportunidades, por menores que sejam.
Enquanto isso, o cessar-fogo mediado pelos EUA enfrentou tensões no segundo dia de implementação. Ambas as partes acusam a outra de violações durante ataques no fim de semana. Três mortos e mais de 200 confrontos ocorreram desde sábado, segundo autoridades ucranianas; a defesa russa afirmou ter abatido drones ucranianos.
Autoridades destacam que a situação permanece fluida e que esforços diplomáticos devem continuar. O enviado norte-americano Steve Witkoff e o assessor Jared Kushner devem viajar a Moscou em breve para retomar conversações, conforme relato da Interfax, com fonte próxima ao Kremlin.
Em outros elos regionais, Moscou acusou a Armênia de dar a Zelensky alegação de plataforma para críticas anti-russas, sinalizando deterioração de alianças tradicionais. Durante visita a Yerevan, Zelensky afirmou que drones podem rondar a Praça Vermelha durante a parada de 9 de maio. O Kremlin aguarda explicações da parte armênia.
Na esfera de defesa, a Lituânia e Letônia registraram tensões recentes. A Letônia viveu a resignação do ministro da Defesa após incursões de drones ucranianos que atingiram instalações de estocagem de petróleo. O premier afirmou ter perdido a confiança pública, citando atraso na resposta antimissilista.
Noutro episódio, dois drones cruzaram a fronteira da Rússia rumo à Letônia na quinta-feira. Um incêndio se iniciou, mas foi controlado rapidamente, segundo informações locais. O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano atribuiu o incidente a ações de guerra eletrônica russas.
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