O Primeiro Conferência sobre a Transição de Combustíveis Fósseis, realizada em Santa Marta, Colômbia, entre 24 e 29 de abril, abriu espaço para avanços práticos na retirada do petróleo e do gás. O evento reuniu representantes de governos, comunidades indígenas e organizações ambientais, com foco em caminhos já acordados para reduzir dependência de combustíveis fósseis.
Diferente das tradicionais negociações da COP, o encontro permitiu contribuições diretas de ministros, stakeholders e povos originários. A pesquisa pública sobre subsídios aos fósseis contrapôs a urgência de financiar a transição para fontes limpas, servindo como base para futuras ações.
Foram 57 países representados, incluindo Brasil, Austrália, Canadá, Chile e Reino Unido, além da União Europeia. China, Rússia e Estados Unidos não foram convidados. O contexto envolve a significativa participação de países do Sul global na construção de roadmaps nacionais para encerrar a dependência de combustíveis fósseis.
Resultados e próximos passos
Colômbia e os Países Baixos apresentaram pontos-chave para a implementação, sem a criação de novas metas. O objetivo é detalhar como cada país pode avançar nos compromissos já assumidos sob acordos internacionais. Um painel científico foi lançado para apoiar esse processo com recomendações técnicas.
O painel, que reunirá entre 50 e 100 pesquisadores, funcionará de forma independente e produzirá relatórios anuais. O objetivo é oferecer suporte técnico aos roadmaps nacionais, complementando as contribuições previstas no Acordo de Paris.
Outra linha de ação envolve reformas no sistema financeiro para facilitar a retirada gradual dos combustíveis fósseis. O debate também abordou mecanismos de ISDS, com críticas sobre impactos aos governos na adoção de políticas de transição.
Observações sobre participação e omissões
Foi destacada a necessidade de maior envolvimento de companhias nacionais de petróleo nos debates, para viabilizar caminhos práticos de saída gradual. Além disso, observou-se a ausência de alguns dos maiores emissores globais, o que limitou a participação de certos polos energéticos.
Analistas afirmam que a conferência representa um marco, mas requer ampliação da cooperação envolvendo atores estratégicos, incluindo autoridades de segurança nacional e tomadores de decisão financeiros, para ampliar a efetividade dos planos.
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