A Arábia Saudita realizou ataques não divulgados contra o Irã, segundo relatos de fontes ocidentais e iranianas. A ofensiva, atribuída à Força Aérea saudita, ocorreu no final de março e seria uma retaliação a ataques anteriores no reino. Não foi possível confirmar os alvos específicos.
As autoridades sauditas não confirmaram os ataques quando questionadas. O Irã não respondeu aos pedidos de comentário. A notícia mostra uma mudança de estratégia de Riad, que tem dependido das bases norte-americanas para a defesa, especialmente após semanas de vulnerabilidade durante a guerra regional.
A ofensiva se insere em um contexto de escalada decorrente de ataques aéreos ocorridos após ações dos EUA e de Israel no Irã, em 28 de fevereiro. O Irã passou a retaliar atingindo bases, infraestrutura e civis em diversos países do Golfo, além de fechar o Estreito de Ormuz.
Desdobramentos e desescalada
A imprensa afirma que a Arábia Saudita avisou Teerã sobre os ataques, o que desencadeou intenso esforço diplomático e ameaças de novas retaliações. Em meio a esse cenário, os dois países teriam chegado a um entendimento para reduzir a escalada.
Ali Vaez, do International Crisis Group, aponta que ataques de retaliação seguidos de desescalada indicam um interesse pragmático em limitar o conflito. O acordo informal consolidou-se na semana anterior ao cessar-fogo entre Washington e Teerã, no início de abril.
Fontes iranianas afirmam que houve acordo para diminuir as hostilidades, com objetivo de proteger interesses mútuos e impedir o aumento de tensões. A cooperação diplomática entre Arábia Saudita e Irã foi retomada após uma reaproximação mediada pela China, iniciada em 2023.
Os ataques sauditas ocorreram enquanto o comércio global permanecia estável devido ao controle do Golfo pelos sauditas. Em março, o ministro das Relações Exteriores saudita avisou que o reino reserva o direito de agir militarmente se necessário, reforçando a postura de dissuasão.
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