O governo brasileiro classifica como surpresa a decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e animais para o bloco a partir de 3 de setembro. A medida ocorreu após a atualização das regras da UE sobre uso de antimicrobianos na pecuária.
O Ministério da Agricultura e Pecuária informou que adotará prontamente medidas para reverter a decisão, visando manter o Brasil na lista e assegurar o fluxo de vendas para o mercado europeu, onde o país atua há quatro décadas. O chefe da delegação brasileira junto à UE, o embaixador Pedro Miguel da Costa e Silva, tem reunião marcada para esta quarta-feira com autoridades sanitárias do bloco para entender os critérios da decisão.
Segundo o organismo, o Brasil mantém um sistema sanitário robusto e reconhecido internacionalmente, sendo o maior exportador mundial de proteínas de origem animal e o principal fornecedor de produtos agrícolas à Europa. A Comissão Europeia confirmou a suspensão das exportações de animais vivos e de produtos derivados, como bovinos, aves, ovos, peixes de criação, mel e tripas, até que o país comprove atendimento às exigências sanitárias durante toda a vida útil dos animais.
A UE afirma que o monitoramento continuará atento aos requisitos de uso de antimicrobianos, com o objetivo de evitar resistência bacteriana e proteger a saúde humana. A iniciativa foi recebida como um sinal de vigilância por parte do bloco diante de tensões políticas no âmbito do acordo de livre comércio com o Mercosul, entre outros fatores.
A publicação da medida indica que, caso Brasília comprove o cumprimento das normas, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações. Analistas destacam que o acordo entre os blocos entrou em vigor de forma provisória em maio e depende de strike judicial europeu para a validade plena, o que pode levar meses.
Entre na conversa da comunidade