O proprietário do cargueiro Dali foi apontado em acusações criminais, duas anos após o navio ter atingido a Key Bridge, em Baltimore, levando ao colapso da estrutura e à morte de seis trabalhadores. A operação ficou a cargo da Synergy Marine, que também responde por um de seus funcionários. As acusações incluem conspiração, obstrução e conduta que resultou em morte, entre outros crimes.
A denúncia sustenta que a empresa engolou informações aos investigadores sobre as condições do navio e não revelou riscos e outras preocupações de segurança à Guarda Costeira dos EUA. A Synergy afirmou que defenderá as alegações com vigor, segundo reportagem do New York Times.
A acusação foi tornada pública nesta terça-feira e envolve operações da empresa com bases em Cingapura e Índia. O supervisor técnico do Dali, Radhakrishnan Karthik Nair, também é réu na ação.
Detalhes do incidente
Na madrugada de 26 de março, o M/V Dali colidiu com a Francis Scott Key Bridge, fazendo veículos caírem no rio e deixando seis operários da construção mortos. A colisão interrompeu o tráfego marítimo e provocou impactos econômicos significativos na região.
A NTSB apontou fatores como falha de energia por cabos defeituosos, problemas em uma bomba de combustível e a ausência de medidas para reduzir a vulnerabilidade da ponte. A denúncia afirma quedas de energia ocorreram duas vezes em quatro minutos.
Desdobramentos jurídicos
Conforme os procuradores, o navio perdeu potência duas vezes em curto intervalo e não foi autorizado a usar a bomba de flushing para alimentar geradores. A defesa sustenta que, se a alimentação de combustível estivesse adequada, a energia seria restabelecida antes do choque.
A acusação afirma que funcionários da Synergy tinham conhecimento do uso inadequado da bomba e tomaram medidas para ocultar a prática em vários navios, além de alegações de falsificação de registros de segurança. O proprietário já pagou mais de 100 milhões de dólares para um acordo civil relativo aos danos à ponte e 350 milhões a uma seguradora de Maryland.
A Synergy enfrenta ainda uma ação civil marcada para o próximo mês.
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