O Pavilhão Russo da Bienal de Veneza voltou a gerar controvérsia ao discutir a utilização de imagens de protesto em um documentário ligado ao projeto. O espaço, já foco de manifestações pró-Ucrânia, afirmou ter sido solicitado pela banda e coletivo Pussy Riot a remover trechos que mostram suas ações.
Em uma publicação no Instagram feita na segunda-feira, o Pavilhão Russo disse que Pussy Riot pediu a retirada das imagens que aparecem no filme documental do projeto, sob o rótulo de censura. A legenda afirma que houve uma cobrança de transparência, mas que houve censura autoimposta conforme o grupo.
Pussy Riot respondeu, questionando a elegibilidade da plataforma Instagram sob a lei russa vigente, e ressaltou que a meta de plataformas e governos pode ser alvo de restrições. O grupo ainda citou dúvidas sobre o uso de VPNs ou privilégios de quem está na Itália.
Antes das previews profissionais, o pavilhão enfrentou críticas de comunidades artísticas e políticas internacionais. A União Europeia chegou a sinalizar a possibilidade de retirar recursos para a edição de 2028, citando sanções associadas à invasão russa da Ucrânia.
O contexto completo da acusação de censura permanece indefinido. O que se sabe é que o filme documental estaria disponível fora do pavilhão durante o restante da Bienal, e que a programação previa a exibição apenas durante os momentos de performances ao vivo ligadas à mostra “The Tree Is Rooted in the Sky”.
Dois dias após a abertura, dezenas de manifestantes entraram no espaço, entoando palavras de protesto como “Russia kills” e “Biennale exhibits”. Nadya Tolokonnikova, líder do Pussy Riot, participou do ato junto a integrantes da FEMEN, com cores amarelas e azuis no ar, em referência à bandeira ucraniana.
Os organizadores da Bienal, bem como representantes de Pussy Riot, foram procurados pela imprensa para comentários. Não houve conclusão oficial publicada até o fechamento desta edição.
Entre na conversa da comunidade