Nickolay Mladenov, enviado de Gaza para o Conselho de Paz apoiado pela coalizão liderada pelos EUA, afirmou que o Hamas poderia persistir como movimento político se entregar o governo e abandonar a luta armada. A declaração foi feita em Jerusalém durante visita à imprensa.
Segundo ele, manter o status quo pode consolidar a Linha Amarela, possivelmente em uma cerca ou muro, criando uma divisão permanente em Gaza. O diplomata ressaltou que os palestinos da região não apoiariam essa separação.
Apenas parte do acordo de paz proposto pelo ex-presidente Donald Trump avança, com o cessar-fogo atual arrastando-se e o Hamas resistindo à desmilitarização. Israel realiza ataques frequentes e atira contra quem se aproxima de suas áreas.
Israel ampliou o controle efetivo sobre Gaza desde o início do cessar-fogo, em outubro. Em março foram definidas novas áreas onde organizações internacionais devem coordenar atividades com as forças israelenses.
O jornal Israel Hayom aponta que a área sob controle de Israel soma 64% da Faixa de Gaza, incluindo zonas atrás da Linha Amarela e áreas que exigem coordenação. Autoridades destacam a responsabilidade de proteção civil em toda a faixa.
Patrick Griffiths, representante de observação humanitária, disse que Israel é potência ocupante com obrigações legais que abrangem toda Gaza, independentemente da localização dos cidadãos.
Hamas afirma que Israel matou 850 pessoas em Gaza durante o cessar-fogo, sem distinguir civis de combatentes, e restringiu severamente a entrada de ajuda. A organização também alega deslocamento gradual da Linha Amarela para o oeste.
Cogat, órgão de defesa israelense, informou entrada diária de cerca de 600 caminhões de ajuda desde o início do cessar-fogo, embora dados de Hamas indiquem que, em alguns dias, apenas um terço desse volume chegou a Gaza.
Apesar de se comprometer com a entrega de poder, o Hamas permanece reticente quanto à desmilitarização. Mladenov ressaltou que o grupo pode existir como partido político desde que abandone atividades armadas.
Para ele, a retirada israelense depende da desmilitarização do Hamas e da transferência de poder, sob pena de consolidar a divisão atual de Gaza, segundo a leitura do diplomata.
O governo de Israel afirmou que termos do cessar-fogo impedem o Hamas de participar da governança de Gaza, direta ou indiretamente, o que já foi estipulado no pacto vigente.
O Hamas reiterou o compromisso de entregar o poder, segundo autoridades locais. Mladenov destacou que o próximo passo do plano de paz exige cooperação de ambas as partes ou a preservação da divisão.
Entre membros de ambos os lados, há quem considere uma terceira via, inclusive a desmilitarização do Hamas pela força, o que aumentaria o risco de retorno de confrontos na região.
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