O governo brasileiro afirma que não fará ofertas aos Estados Unidos de redução de tarifas sobre produtos importados, enquanto não estiver definido o quadro completo de negociação com o governo de Donald Trump. A sinalização ocorreu durante reunião na Casa Branca na semana passada, quando Lula pediu ao presidente norte-americano o encerramento de uma apuração sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.
No dia seguinte, já no Brasil, o ministro Marcos Elias Rosa, da Indústria, Comércio e Serviços, manteve contato com Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, para dar continuidade às conversas. As equipes devem se encontrar por videoconferência nas próximas semanas para esclarecer dados da balança comercial entre os dois países.
No Palácio do Planalto, Lula manteve a orientação de cautela e pediu que os ministros informem com regularidade sobre o avanço das negociações. Participaram do encontro os ministros Dario Durigan (Fazenda), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Márcio Elias Rosa (Indústria, Comércio e Serviços) e Wellington Lima e Silva (Justiça), além da chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e do ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira.
Avanços e próximos passos
Foi acordado que as equipes de Brasil e EUA vão trabalhar por mais 30 dias para avançar nas tratativas sobre tarifas de importação que incidem sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos. A Seção 301 é apontada como uma das frentes mais advanceadas do contencioso comercial entre os países.
Segundo relatos, a delegação brasileira reconheceu que o Brasil aplica tarifas altas sobre itens norte-americanos, o que é alvo de críticas dos EUA, especialmente no setor do etanol. Houve divergência específica sobre as tarifas brasileiras que os norte-americanos desejam que sejam ajustadas.
Desde junho do ano passado, a apuração sob a Seção 301 envolve questões que vão desde o Pix até comércio de produtos falsificados, redes sociais e questões ambientais. Os EUA alegam práticas brasileiras que dificultariam a exportação de bens norte-americanos ao mercado brasileiro.
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