O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que navios que entrarem no estreito de Hormuz devem cooperar com a Marinha iraniana, após relatos de que uma embarcação foi apreendida perto de um porto dos Emirados Árabes Unidos e levada em direção às águas iranianas. A informação sobre a apreensão foi divulgada pela UK Maritime Trading Organisation, que citou intervenção de pessoal não autorizado.
Araghchi, que estava na Índia para uma reunião do bloco Brics, garantiu que o estreito permanece aberto a navios comerciais, desde que haja cooperação com as forças navais iranianas. O ministro também disse, durante o encontro, que a cooperação com Israel não assegura a proteção dos Emirados Árabes Unidos.
O Irã tem mantido o estreito de Hormuz, que já foi responsável por cerca de um quarto do fornecimento mundial de petróleo e gás, em grande parte fechado desde o início das ofensivas militares lideradas pelos EUA e por Israel. Nesta semana, os EUA impuseram contramedidas a portos iranianos, aumentando tensões na região.
Contexto regional
Durante a reunião do Brics, Araghchi acusou os EUA de instaurarem o bloqueio e pediu condenação às ações de Washington e de Israel. Ele defendeu que a instabilidade regional é prejudicial a todas as partes, incluindo os supostos agressores, e chamou os Brics a emitir posicionamentos firmes contra violações do direito internacional.
Paralelamente, a ONU discute uma resolução apresentada pelos EUA e Bahrein que condena o bloqueio iraniano e pede a cessação de ataques a navios e a remoção de minas. A proposta já foi objeto de veto por parte de Rússia e China em 7 de abril, e enfrenta resistência entre outros membros do Conselho de Segurança.
O Irã anunciou também tratar de um acordo com a China para facilitar o trânsito de cargueiros pelo estreito, com custos estimados em cerca de 1 dólar por barril. A China aceitara regras de navegação alteradas, segundo relatos, o que sustenta a expectativa de maior passagem de navios sob condições ajustadas.
A controvérsia envolve ainda uma ofensiva diplomática com potências regionais, incluindo uma carta conjunta de seis Estados do Golfo ao Conselho de Segurança, pedindo que o Irã seja impedido de impor regras ou tarifas que prejudiquem a navegação internacional. Oman não assinou o documento.
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