Scotland Yard informou que enviará ao Ministério Público da Inglaterra e País de Pessoas (CPS) um conjunto de autos com evidências consideradas fortes para possível responsabilização criminal de 77 empresas e indivíduos pelo incêndio da Grenfell Tower, ocorrido em 2017 e que deixou 72 mortos. A operação envolve uma equipe de 220 investigadores.
A polícia detém evidências consideradas suficientes para submeter decisões de acusação ao CPS, que deverá analisar se devem ocorrer processos criminais contra 57 pessoas e 20 empresas. As decisões sobre as acusações devem sair até junho de 2027, conforme expectativa das autoridades.
O inquérito criminal não prevê julgamentos rápidos: a primeira chance de levar alguém a um júri pode ocorrer apenas em 2028, ou depois. Entre as acusações em estudo estão homicídio culposo, homicídio culposo grave, fraude, violação de normas de saúde e segurança e possível conduta imprópria no serviço público.
Desdobramentos e contexto
A investigação foca nas causas criminais do incêndio e na condição do edifício que permitiu a propagação rápida das chamas. O relatório de 2024 do inquérito público apontou falhas generalizadas na construção, na prefeitura, em reguladores e no governo.
O custo da investigação já soma cerca de £150 milhões, e foi aprovada a construção de uma réplica da torre para auxiliar o entendimento do júri. Grupos de sobreviventes e familiares ressaltam que a responsabilização não deve enfrentar mais atrasos.
Reações e próximos passos
A Grenfell United, representante de vítimas, afirmou que as expectativas não são de celebração, mas de cautela e determinação para responsabilização. O grupo lembra que a comunidade aguarda respostas há quase uma década.
O inquérito concluiu que houve o que chamou de “desonestidade sistêmica” entre empresas envolvidas, contribuindo para o fogo se espalhar rapidamente. Autoridades destacam a importância de as cortes terem recursos adequados para futuros processos relacionados ao caso.
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