A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional devido a um surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A medida, o segundo nível mais alto do regulamento sanitário, não configura pandemia, mas sinaliza alto risco global e necessidade de resposta coordenada. A confirmação de casos em Goma, no leste do Congo, e em Kampala, Uganda, ampliou a preocupação.
Até o fim de semana, o Africa CDC registrava 336 casos suspeitos e 88 mortes no nordeste da RDC. O possível paciente zero é um enfermeiro do Centro Médico Evangélico de Bunia, com início dos sintomas em abril. Este é o 17º surto de ebola registrado na RDC desde 1976.
Casos confirmados surgiram em Goma e em Kampala; Kinshasa permanece sob investigação. Três cidades contam com aeroportos internacionais conectados a diversos continentes, elevando o potencial de expansão. Hong Kong e Macau já reforçaram a triagem de passageiros nos aeroportos.
Cepas, vacinas e risco para o Brasil
O surto atual é provocado pela cepa Bundibugyo, identificada em 2007. A taxa de mortalidade associada fica em torno de 32%, podendo chegar a 50% em alguns cenários. Diferentemente da cepa Zaire, as vacinas existentes foram desenvolvidas visando Zaire; não há vacina específica para Bundibugyo.
Essa diferença técnica explica o aumento do alarme da OMS e a manutenção de medidas de vigilância. No Brasil, o risco direto é considerado baixo, pois não há voos diretos para a região afetada e a transmissão ocorre apenas por contato com fluidos de pessoas com sintomas. Ainda assim, o país mantém vigilância em portos e aeroportos para passageiros procedentes da região.
Entre na conversa da comunidade