O médico americano Peter Stafford, 39 anos, atuava no Congo, onde trabalhava como o único cirurgião do Hospital Nyankunde, na região de Ituri. Ele viajou para atuar em uma área isolada durante um surto de Ebola que já registrou mais de 130 mortes. Stafford integra a organização missionária Serge Global, que atua em 29 países com mais de 325 missionários.
Stafford e a família deixaram os EUA para prestar atendimento médico humanitário no Congo. O casal, que também é formado em medicina, decidiu se mudar com os quatro filhos para permanecer por pelo menos cinco anos na região, conforme o compromisso assumido pela família.
No Hospital Nyankunde, Stafford realizava procedimentos complexos. Sua saída repentina para tratamento deixou a instituição sem médico com capacidade de realizar cirurgias. A contaminação ocorreu após uma cirurgia em um paciente de 33 anos com fortes dores abdominais, inicialmente suspeita de vesícula, que acabou falecendo no dia seguinte.
A equipe ainda avaliava a possibilidade de uma infecção por Ebola durante o procedimento, já que o paciente evoluiu com sinais que se alinham ao vírus. Mesmo com uso de proteção, Stafford foi exposto e desenvolveu febre e fraqueza nos dias seguintes, com confirmação do diagnóstico no domingo.
Evacuação e tratamento
Durante o translado, o médico foi isolado em uma cápsula plástica para evitar contágio da tripulação. O destino foi o hospital Charité – Universitätsmedizin, em Berlim, um centro europeu preparado para tratar infecções graves. Stafford encontra-se em estado debilitado, segundo a Serge Global, que mantém esperanças de recuperação.
A família de Stafford permanece em observação médica. Rebekah Stafford, 38 anos, também médica, pode ter sido exposta após atender uma gestante que morreu posteriormente. Os quatro filhos, entre 1 e 7 anos, passaram por isolamento inicial no Congo e, posteriormente, foram encaminhados à Alemanha para quarentena.
Patrick LaRochelle, outro médico da Serge, também considerado potencialmente exposto, foi transferido para Praga, na República Tcheca. Autoridades de saúde dos EUA acompanham o caso, em coordenação com ministérios congoleses e ugandeses, com apoio de especialistas técnicos.
Situação do surto
O surto atual no Congo envolve a variante Bundibugyo do Ebola, sem vacina ou tratamento aprovado específico. Dados históricos indicam taxa de mortalidade entre 25% e 50%. A Organização Mundial da Saúde declarou emergência internacional de saúde pública pela velocidade de disseminação.
O CDC coordena ações com autoridades locais para ampliar triagem, isolamento e contenção do vírus. O Departamento de Estado dos EUA anunciou financiamento para até 50 clínicas de tratamento nas áreas afetadas, com foco em ampliar a capacidade de resposta.
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