Xi Jinping e Vladimir Putin condenaram os planos do escudo antimísseis Domo de Ouro proposto pelos EUA e a política nuclear de Washington, em uma cúpula conjunta nesta quarta-feira, 20, em Pequim. A reunião ocorreu uma semana após a visita de Trump à China.
O comunicado conjunto afirma que o sistema interceptador de mísseis, baseado em terra e no espaço, representa uma ameaça à estabilidade estratégica global. Também criticaram a expiração, em fevereiro, do último tratado nuclear que limitava arsenais entre EUA e Rússia.
Os líderes destacaram a proximidade entre Rússia e China, consolidada desde 2022 com um tratado de parceria estratégica, pouco antes da invasão russa à Ucrânia. Xi buscou posar como pilar de estabilidade em meio a guerras e conflitos.
Questionou-se a continuidade de relações sem limites entre os dois países, associadas a uma visão comum sobre segurança global. A cúpula tratou, sobretudo, de temas de tensão com os EUA.
No âmbito energético, não houve avanços sobre o gasoduto Power of Siberia 2, uma proposta antiga entre Moscou e Pequim. Os dois lados discutem há anos a construção de um gasoduto com 2.600 km de extensão.
Segundo o Kremlin, houve um entendimento geral sobre os parâmetros do projeto, mas sem detalhes ou cronogramas claros. A China não detalhou posições públicas sobre o gasoduto nos últimos dias.
Antes da visita, Moscou sinalizou interesse em mais acordos de energia com a China, principal destino das exportações russas. A expectativa era de que o acordo abrisse caminho para remessas por gasoduto e via marítima.
Durante a reunião, a política energética foi apresentada como parte das relações estratégicas, mas as negociações permanecem abertas. Analistas apontam que ajustes de preço devem levar tempo para se consolidarem.
A cúpula entre Xi e Putin coincidiu com o foco geopolítico de Pequim em manter a estabilidade global diante de tensões com Washington e conflitos regionais, incluindo Irã e Ucrânia.
Entre na conversa da comunidade