Nas áreas rurais da RD Congo, uma cepa rara de Ebola causou um surto com mais de 160 mortes e mais de 1.200 casos suspeitos, segundo a OMS. O epicentro fica na região leste, especialmente Ituri, Bunia, Mongbwalu e Rwampara. A transmissão ocorre entre humanos por fluidos corporais e superfícies contaminadas.
A doença surgiu pela primeira vez no país em 1976 e a RD Congo registra mais surtos do que qualquer outro país. No atual episódio, a cepa Bundibugyo, pouco conhecida, não tem vacinas ou tratamentos aprovados até o momento, segundo a OMS.
O surto também chegou à vizinha Uganda, com dois casos laboratoriais confirmados em Kampala, envolvendo viajantes da RD Congo. Autoridades de saúde destacam a necessidade de vigilância reforçada na região.
Notas de campo indicam que a caça de carne de animais selvagens continua comum em áreas rurais, representando uma fonte de proteínas para a população, mas também um caminho de entrada do vírus. Especialistas ressaltam o desafio de regulamentar a caça.
Regiões afetadas enfrentam dificuldades estruturais: pobreza elevada, conflitos armados e deslocamentos forçados agravam a crise sanitária e a resposta de saúde pública. Em Mongbwalu, equipes trabalham para isolar casos e desinfetar locais.
Rumores e rituais fúnebres aparecem como obstáculos à contenção. Entre as práticas locais, tocar o cadáver é descrito como parte de despedida, o que pode favorecer a transmissão. Desinformação alimenta o medo e atrasa a assistência médica.
A OMS alerta para a disseminação rápida da Bundibugyo e para o aumento de mortes, com 160 óbitos e 1.261 casos suspeitos na quinta-feira. O risco de expansão mundial é considerado menor, mantendo foco em nível nacional e regional.
Diversos países adotaram medidas de prevenção, incluindo restrições de viagem a partir de regiões afetadas. Na RD Congo, autoridades de saúde lembram a experiência anterior no controle de Ebola, destacando a necessidade de cooperação local.
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