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EUA cancelam vistos de juízes de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru

Altos funcionários públicos e empresários também foram alvos de sanções; países integram "Escudo das Américas"

Líderes de países das Américas posam para foto oficial durante o evento “Shield of the Americas – Doral 2026”, diante de bandeiras nacionais e do emblema do encontro.
Os Estados Unidos lideram um grupo com 15 países contra o narcotráfico, conhecido como "Escudo das Américas" (Reprodução/White House)

Os Estados Unidos cancelaram os vistos de juízes, altos funcionários e empresários da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. O comunicado foi publicado nesta segunda-feira (28) pelo Departamento de Estado.

A administração Trump acusa o grupo de 20 pessoas de corrupção, vínculos com o narcotráfico e conspiração contra os respectivos governos. Entre os sancionados estão juízes da Suprema Corte, altos funcionários da Polícia, promotores, senadores e dois empresários, um boliviano e um colombiano.

A retirada dos vistos dos funcionários e suas famílias faz parte dos compromissos reforçados na aliança do Escudo das Américas, criada por iniciativa do presidente Donald Trump em março deste ano.

“Sob a administração Trump, os funcionários estrangeiros corruptos não podem mais entrar livremente nos Estados Unidos. […] Esta política restringe a expedição de vistos para os cidadãos estrangeiros – e seus familiares próprios – que minem um governo eleito democraticamente através de atividades de corrupção ou narcotráfico na nossa região. […] Minar um governo eleito democraticamente é uma ameaça para a segurança e o Estado de direito nas Américas, e não será tolerado”, anunciou o comunicado.

Quem foram as pessoas sancionadas por Trump?

Na Bolívia, o Departamento de Estado revogou os vistos de 12 pessoas, além de seus familiares.

Entre elas estão o procurador sênior Martin Daniel Irusta Flores; as juízas Albania Chane Caballero Saavedra e Rosario Ximena Flores Paniagua; o procurador-geral de Santa Cruz, Alberto Zeballos Flores; e o ex-ministro da Justiça e da Transparência Institucional, Ivan Manolo Lima Magne.

Também foram atingidos o promotor Alvaro Mauricio Nava Morales Carrasco; o magistrado constitucional Israel Ramiro Campero Mendez; o ex-presidente executivo da Alfândega Nacional Alberto Samuel Soto de la Via; o ex-magistrado suplente do Supremo Tribunal Ivan Ramiro Campero Villalba; o juiz Rodrigo Aldo Vedia Espinoza; o coronel da Polícia Boliviana Frans William Cabrera Quispe; e o empresário José Luis Iriarte Cussi.

Outros nove bolivianos, que não possuíam vistos naquele momento, também foram considerados inelegíveis para obter o documento, assim como seus familiares. Os nomes desse grupo não foram divulgados.

Na Colômbia, tiveram os vistos revogados o empresário Euclides Antonio Torres Romero, proprietário de um conglomerado com atuação principalmente nos setores de energia, sinalização de trânsito e iluminação pública, e a senadora Martha Isabel Peralta Epieyu, ligada ao Pacto Histórico e ao Movimento Alternativo Indígena e Social (MAIS). As restrições também foram estendidas aos familiares.

No Equador, o governo americano informou ter imposto restrições de visto a dois cidadãos e seus familiares, mas os nomes não aparecem no comunicado. Já no Peru, a medida atingiu Juan Carlos Núñez Matos, juiz do Tribunal Constitucional de Lima.

Aliados de Trump na América Latina

O governo conservador boliviano viveu semanas de protestos que paralisaram boa parte do país, até que o presidente Rodrigo Paz decretou, em 20 de junho, um estado de exceção que segue vigente.

A Colômbia acaba de eleger um presidente, Abelardo de la Espriella, que se apresenta, por sua vez, como aliado de Trump após uma campanha acirrada e de acusações contra a oposição de esquerda de ter tentado impedi-lo de chegar ao poder.

O Equador, presidido por Daniel Noboa, é outro aliado de Washington imerso em uma guerra contra o crime organizado, que conta com o apoio das forças militares dos Estados Unidos.

Enquanto isso, o Peru acaba de eleger uma presidente conservadora, Keiko Fujimori. De fato, esses quatro países integram o Escudo das Américas, que reúne cerca de 15 países da região.

Os líderes da aliança se reuniram na semana passada à margem da Assembleia Geral da ONU e ratificaram a disposição para tomar “medidas coletivas” contra o narcotráfico.

(Com informações da AFP)

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