Emmanuel Macron enfrenta pressão para abrir um processo formal de diálogo sobre justiça reparatória pela participação da França no tráfico de escravos e no período de escravização de povos africanos. O objetivo é discutir caminhos de reparação e reconhecimento.
O governo francês afirma que a “memorialização” da escravidão e do tráfico é um projeto permanente de reconhecimento do presidente. A oposição e comunidades afetadas pedem passos práticos para enfrentar o legado histórico.
A comemoração deste ano coincide com críticas de frustrações internacionais e um certo estresse político interno, já que o país debate racismo, direitos sociais e a influência de forças de oposição antes das eleições de 2027.
Contexto histórico e reivindicações
Desde o século XVI, a França foi um dos maiores traficantes de escravizados, responsável por cerca de 13% do total transportado para as Américas, entre outras regiões. A crítica recente questiona a abstinção francesa em votações da ONU sobre reparações.
Atualmente, lideranças de comunidades descendentes e representantes de territórios ultramarinos defendem que o país assuma um processo de diálogo público para reparar danos históricos, raciais e socioeconômicos herdados da escravização.
Entre os signatários, destaca-se o senador Victorin Lurel, que chamou a abstinção de erro moral, histórico, diplomático e político. Ele argumenta que o país precisa reconhecer responsabilidades para restabelecer confiança.
Pedidos por diálogo e ações
Outra linha de apoio vem de Dieudonné Boutrin, que coordena uma federação de descendentes e solicita que Macron autorize discussões formais sobre reparação. O objetivo é promover entendimento entre comunidades e reduzir o racismo estruturado.
A Fundação da Memória da Escravatura, chefiada por Aïssata Seck, com apoio do ex-primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, também pediu a liderança do governo para abrir o tema de reparação e enfrentamento das desigualdades herdadas.
Paralelamente, a França mantém debate sobre reparações para Haiti, dada a dívida histórica imposta no século XIX. Um comitê conjunto com o Haiti foi anunciado em 2025, com prazo para conclusão neste ano.
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