Durante a noite desta quinta-feira, manifestantes invadiram um hospital em Rwampara, no nordeste da República Democrática do Congo, e incendiaram tendas com oito camas. A ação ocorreu após autoridades locais se recusarem a entregar o cadáver de uma vítima de Ebola para enterro por conta própria.
O alvo da revolta era Eli Munongo Wangu, jogador de futebol conhecido na região. Pais do atleta afirmam que a causa da morte não foi Ebola, mas febre tifóide. Médicos, porém, sustentam que ele morreu com o vírus e ressaltam a importância de enterros seguros para evitar contaminação.
Reforços do exército e da polícia chegaram ao local para conter os ânimos. Foram usadas tiros de advertência e gás lacrimogêneo, enquanto três tendas foram consumidas pelo fogo. Seis pacientes receberam transferência para outro hospital.
O incidente ocorreu em meio ao mais recente surto de Ebola no leste do país. A Organização Mundial da Saúde aponta 600 casos suspeitos e 139 mortes associadas ao vírus, com desdobramentos também em Uganda. Bunia, na província de Ituri, é a região mais afetada.
Segundo relatos locais, parte da população não acredita na existência do Ebola, atribuindo a doença a conspirações internacionais para captar recursos. A desinformação histórica complicou respostas a surtos anteriores na região de Kivu do Norte, deixando centenas de centros de saúde vulneráveis.
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