O governo dos Estados Unidos estuda transferir para o Quênia cidadãos americanos expostos ao vírus Ebola, em vez de repatriá-los para os EUA para monitoramento e tratamento. A informação foi publicada pelo New York Times, com base em três fontes próximas ao plano. A mudança difere do que ocorreu em surtos anteriores, que priorizavam o retorno ao país.
De acordo com as fontes, dezenas de agentes do Serviço de Saúde Pública dos EUA estão sendo treinados para atender americanos de alto risco no Quênia. Inicialmente, a ideia era apenas monitorar no país africano e encaminhar para a Europa quem apresentasse sintomas.
Novo desenho de resposta
Agora o governo avalia também o tratamento no Quênia, com a proximidade de instalar uma unidade de quarentena e atendimento, em coordenação entre os Departamentos de Estado, Defesa e Saúde. Cada caso seria analisado individualmente quanto à necessidade de atendimento mais avançado.
A medida marca a divulgação de ações mais abrangentes fora dos EUA. Em paralelo, profissionais de saúde norte-americanos já conduzem esforços para lidar com pacientes expostos, inclusive com encaminhamentos a instalações internacionais quando cabível.
Contexto do surto
O surto atual da RDC avança com o epicentro na região de Ituri. A Organização Mundial da Saúde declarou a situação como emergência de saúde pública de interesse internacional. O vírus Ebola apresenta taxa de mortalidade em torno de 50%, mas o tratamento precoce pode melhorar significativamente as chances de recuperação.
Dados da OMS indicam que o surto, causado pela variante Bundibugyo, já infectou mais de mil pessoas e provocou mais de 200 óbitos. A escalada ocorre em meio a conflitos locais e mobilidade regional, fatores que dificultam o controle da doença.
A rede de vigilância epidemiológica dos EUA sofreu ajustes recentes, com cortes de ajuda que impactaram cadeias de abastecimento médico. Recentemente, o governo também acionou a lei sanitária Title 42 para restringir entrada de imigrantes ligados à RDC, Uganda ou Sudão do Sul.
Entre na conversa da comunidade