Rússia e Alemanha pretendem discutir a reabertura do Nord Stream, rede de gasodutos submarinos que transportava gás natural russo à Europa. O principal enviado econômico de Vladimir Putin e a liderança do partido alemão de extrema direita AfD avançaram nos preparativos para uma reunião em 2027.
As discussões para um encontro, que poderia ocorrer em março, mostram a proximidade entre Moscou e a AfD. O partido segue fora do poder por causa da coalizão formada por seus rivais, mas aparece como uma das principais forças entre os eleitores alemães.
A reunião teria a presença de Kirill Dmitriev, assessor próximo de Putin e chefe do fundo soberano da Rússia, além dos colíderes da AfD, Alice Weidel e Tino Chrupalla, segundo uma das fontes.
Um porta-voz da AfD e um representante de Dmitriev se recusaram a comentar.
Antes das sanções impostas após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, Moscou fornecia mais de um terço das importações de petróleo bruto da Alemanha e mais da metade do gás natural consumido pelo país.
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Reunião dependeria de acordo de paz
Segundo uma das fontes, a reunião só ocorreria caso um acordo de paz fosse previamente firmado entre Rússia e Ucrânia.
Os organizadores esperavam que o encontro reunisse representantes da AfD, da Rússia e dos Estados Unidos. Entre os possíveis locais para a cúpula estão Israel, Emirados Árabes Unidos e Índia.
Em entrevista à Reuters em junho, Weidel defendeu o fim do boicote ao petróleo e ao gás russos como forma de aliviar a economia alemã, que enfrenta dificuldades.
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Dmitriev participou neste mês, em Moscou, de uma reunião com os representantes americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
Os organizadores esperavam que Witkoff e Kushner também participassem da reunião sobre gás, que discutiria a reabertura dos gasodutos russos Nord Stream, segundo uma das fontes.
Uma autoridade graduada dos Estados Unidos afirmou à Reuters que Witkoff e Kushner não foram informados nem convidados para a proposta de cúpula.
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Encontro teria peso simbólico
Um eventual encontro teria caráter simbólico, já que a AfD não integra o governo alemão.
Ainda assim, os preparativos destacam a fragilidade do sistema político da Alemanha. A recusa histórica dos partidos tradicionais em colaborar com a extrema direita tem sido pressionada pelo avanço eleitoral da AfD.
O partido acaba de conquistar uma vitória importante ao se tornar a maior força em uma eleição estadual na Saxônia-Anhalt. A legenda enfrentará outro teste de popularidade no domingo, em uma eleição no Estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.
É nesse Estado que os gasodutos russos Nord Stream chegam à Alemanha.
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Câmara americana em Moscou vê proposta como positiva
A Câmara de Comércio norte-americana em Moscou classificou a ideia como “um passo positivo e oportuno”.
“Envolver a Alemanha, como uma economia europeia de destaque, pode criar uma plataforma mais ampla para discutir questões que são significativas tanto para esses países quanto para o resto do mundo”, disse Robert Agee, presidente da AmCham Rússia.
A Alemanha ainda enfrenta dificuldades para se recuperar do choque causado pelo fechamento dos principais gasodutos submarinos do Nord Stream. Parte da estrutura foi danificada por explosões em setembro de 2022.
Retomada enfrentaria resistência
Qualquer tentativa de retomar o fornecimento de gás russo ou reativar o Nord Stream enfrentaria forte resistência na Alemanha e entre aliados europeus, especialmente no Leste Europeu.
“A Alemanha não pode voltar a depender da Rússia”, disse Michael Kellner, deputado do Partido Verde que foi responsável pela política energética alemã durante a crise provocada pelo corte do gás russo após a invasão da Ucrânia.
Segundo Kellner, o país não pode repetir os erros da crise energética.
“Isso nos custou 50 bilhões de euros. Não podemos querer voltar a isso. Seria traição. Putin está usando a AfD para seus próprios fins”, afirmou.
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