A ex-integrante da RAF, Daniela Klette, foi condenada a 13 anos de prisão por crimes cometidos após a dissolução do grupo. Ela já era considerada uma das mulheres mais procuradas da Alemanha. A sentença foi proferida pelo Tribunal Regional de Verden, após um julgamento que durou 14 meses e exigiu forte esquema de segurança.
Klette, hoje com 67 anos, foi considerada culpada por seis acusações entre 1999 e 2016, incluindo roubo qualificado, extorsão, sequestro e posse de armas. Segundo investigadores, os crimes visavam financiar a vida clandestina de ex-membros da RAF após o fim formal da organização.
A defesa sustenta que o julgamento teve motivação política. A acusada não reconhece participação nos crimes, mas reconhece o trauma causado às vítimas. O ministério público havia pedido pena máxima de 15 anos.
Identidade brasileira
A ex-terrorista viveu mais de 30 anos sob identidade falsa em Berlim, conhecida entre amigos como Cláudia Ivone. Ela integrava uma comunidade brasileira ligada à capoeira no bairro de Kreuzberg, onde morava há cerca de duas décadas.
Em entrevista à WDR, Emerson Gomes da Silva, brasileiro que conviveu com a ex-militante, afirmou que ela evitava falar do passado e chamava o passado de segredo. A prisão ocorreu em fevereiro de 2024, após identificação em imagens públicas na internet.
A Polícia encontrou no apartamento de Klette um amplo arsenal, documentos falsificados, perucas, ouro e cerca de 240 mil euros em dinheiro. Vestígios de DNA dos cúmplices foragidos foram localizados, inclusive em uma escova de dentes elétrica.
A ex-militante também responde a processos em Frankfurt por atentados ocorridos no início dos anos 1990, quando a RAF ainda atuava. O prazo para julgar participação na organização expirou em 2018, vinte anos após a dissolução.
O legado da RAF
Criada na época de 1968, a RAF ficou conhecida como grupo Baader-Meinhof. A organização promoveu ataques contra o Estado alemão entre as décadas de 1970 e 1990, com ações que resultaram em dezenas de mortes e feridos. Entre os episódios mais lembrados estão o sequestro de um avião em 1977 e o assassinato de Alfred Herrhausen, em 1989.
Entre na conversa da comunidade