A ONU informou que cerca de um terço das baixas palestinas desde o cessar-fogo ocorreu em áreas próximas à linha de armistício com o Hamas, em Gaza. A revelação foi obtida pela Reuters e aponta para possíveis assassinatos ilegais, configurando crimes de guerra, segundo o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Dados da ONU consideram 453 mortes confirmadas desde a trégua, com 152 palestinos entre as vítimas que estavam perto da fronteira, incluindo 102 homens, 15 mulheres, 24 meninos e 11 meninas. A organização ressalta preocupações sobre a atuação de soldados em áreas próximas à linha amarela.
Ajith Sunghay, chefe do escritório de Direitos humanos no território, disse que as informações indicam um padrão alarmante, já que civis não representam risco para as forças. Ele afirmou ainda que a localização da linha amarela costuma não ser claramente compreendida pelos palestinos.
Contexto da linha amarela
Observadores denunciam deslocamento de blocos de concreto que demarcam a fronteira para o interior de Gaza, ampliando a zona de controle militar de Israel para quase dois terços do território. O acordo de cessar-fogo previa 57% sob controle, mas a expansão tem gerado receio entre deslocados em acampamentos e casas atingidas.
Autoridades israelenses descrevem as áreas ampliadas como zonas de amortecimento para impedir ataques após o estopim da guerra de 7 de outubro de 2023. O cessar-fogo não interrompeu ataques contra lideranças do Hamas, e a partir desta quarta-feira o país afirmou ter eliminado o líder do braço armado do grupo em Gaza.
Ao longo do período desde a trégua, o número de mortos entre os palestinos oscila. Autoridades de saúde em Gaza apontam cerca de 900 falecimentos em ataques israelenses, sem distinguir civis de combatentes, enquanto quatro soldados israelenses teriam sido mortos por militantes no mesmo intervalo.
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