O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, anunciou que processará a Chrome Holding, empresa-sucedida da 23andMe, após uma investigação que aponta falhas na proteção de dados sensíveis de clientes. O processo envolve a violação de dados ocorrida em 2023.
Segundo Bonta, a falha permitiu que quase sete milhões de usuários tivessem informações de predisposição genética, fatores de risco, parentes biológicos, ancestralidade e etnia expostas. A investigação concluiu que a empresa não adotou medidas básicas de proteção.
Alega-se ainda que a empresa mentiu aos consumidores sobre a gravidade do incidente de 2023. A BBC informou que a Chrome Holding não comentou o processo, enquanto a empresa foi rebatizada após a 23andMe entrar com pedido de falência no ano passado.
Regulatório e desdobramentos
Bonta destacou que a venda de dados de usuários da 23andMe no dark web mencionava especificamente usuários de origem asiático-americana e judeus. O procurador afirmou que o caso ocorre em um momento de aumento de preconceito e violência contra minorias.
O ataque de credenciais, utilizado por invasores, explorou senhas expostas em violações anteriores para acessar contas em que usuários repetiam credenciais semelhantes. O episódio gerou escrutínio regulatório internacional sobre a empresa.
No Reino Unido, a Information Commissioner’s Office multou a 23andMe em £2,31 milhões, por não adotar medidas suficientes para proteger dados sensíveis antes do incidente. A instituição também verificou falhas no login de usuários, em cooperação com o commissioner de privacidade do Canadá.
A 23andMe informou ter tomado compromissos para fortalecer a proteção de dados e a privacidade dos clientes. A investigação enfatiza a proteção de dados genéticos como categoria especial, com regras mais rígidas.
A empresa sofreu críticas adicionais após usuários relatarem dificuldades para excluir contas durante o processo de venda supervisionado pela Justiça, em meio à proteção de dados e dúvidas sobre uso por seguradoras.
Fundada por Anne Wojcicki, a 23andMe já teve clientes como celebridades e atingiu pico de valor de mercado superior a US$ 300 por ação antes de seu declínio recente.
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