Rodrigo Paz, presidente da Bolívia eleito em outubro de 2025 pelo Partido Democrata Cristão (PDC), enfrenta uma onda de protestos desde o início de maio. Bloqueios de estradas afetam desabastecimento e pressionam pela renúncia do chefe de Estado.
O atual governo intensificou medidas de ajuste econômico e reformas, com foco em setores empresariais. Paz chegou ao poder em meio a crise econômica, prometendo um “capitalismo para todos” e diálogo com movimentos sociais, mas adotou prioridades diferentes das anunciadas durante a campanha.
A Lei de Reconversão de Terras, conhecida como Lei 1720, gerou críticas por supostamente favorecer a especulação e reduzir proteções a comunidades indígenas e camponesas. Com isso, manifestações ganharam adesão de trabalhadores rurais, professores e cooperativistas, ampliando o række de apoiadores do movimento.
Desdobramentos e recuos
Diante das pressões, Paz revogou a Lei 1720 e sinalizou maior abertura ao diálogo, além de reduzir seu próprio salário. Mesmo assim, os protestos persistem, com relatos de confrontos e novas adesões a partir de setores antes não mobilizados.
A Defensoria do Povo da Bolívia aponta sete mortes, 23 pessoas feridas e mais de 300 presas durante as mobilizações, que têm sido marcadas pela atuação policial e pela continuidade das reivindicações por mudanças no governo. A situação permanece tensa e sem resolução imediata.
Conflito entre governos e mobilizados
Analistas apontam que a estratégia do governo é caracterizar as manifestações como parcela de disputa partidária, ainda que haja demandas sociais amplas. Pesquisadores destacam que os movimentos são variados e não respondem a uma liderança única, o que dificulta a identificação de responsáveis.
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