Às 7h de quarta-feira, a professora Gabriela Garcia, 43 anos, já preparava as imagens de uma nova aula dentro do carro. Em La Paz, ela enfrenta a sexta noite na fila por gasolina e ministra aulas a partir do veículo, usando um filtro na tela para não revelar o ambiente.
Garcia passa o dia em Sopocachi, uma área da classe média de La Paz, pagando por cada hora de recarga de equipamentos. Entre tarefas, toma banho com itens básicos guardados na bolsa e improvisa um espaço confortável dentro do carro.
Ao anoitecer, a professora troca de roupas na traseira do veículo para continuar em segurança, mantendo contato com alunos e colegas, enquanto a gasolina se torna o principal desafio diário. Ela relata sentir-se protegida pela rede de motoristas.
A fila de abastecimento acompanha o acirramento das manifestações que têm ocorrido há mais de 40 dias. Desde o início do mandato, o presidente Rodrigo Paz enfrentou protestos por reformas e críticas a medidas econômicas e de combustível.
Essa situação ocorre em meio a bloqueios de estradas que afetam o abastecimento de itens básicos em várias cidades. A crise ampliou-se com a suspensão de subsídios a combustíveis, elevando o preço da gasolina.
Na origem da indignação, a decisão de retirar subsídios e a importação de gasolina de baixa qualidade, conhecida como gasolina lixo, geraram queixas de motoristas e prejuízos a frotas. Cerca de 67 mil motoristas registraram reclamações, com valores elevados pagos a indenizações.
Como resposta aos protestos, o governo criou regras para eventual estado de exceção, autorizando atuação das Forças Armadas. A medida depende de decreto de emergência e aprovação do Congresso, com prazo de até 72 horas para ratificação.
O presidente Paz afirmou, em ato ligado à assinatura da lei, que o governo manterá o mandato até 2030, sem abdicação. A fala ocorreu após várias mudanças ministeriais e controvérsias políticas associadas aos protestos e à crise de abastecimento.
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