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Ex-presidente do Kosovo é condenado em Haia por crimes de guerra

Hashim Thaçi comandava o Exército de Libertação do Kosovo (ELK) contra a Sérvia nos anos 1990

Hashim Thaçi, homem branco de cabelos grisalhos, terno escuro e camisa branca, fala em um púlpito com o brasão do Kosovo, em ambiente externo iluminado à noite.
Ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi na capital, Pristina, em 2020 | Imagem de arquivo (Crédito: Reprodução/Wikimedia Commons)

O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi foi condenado pelo tribunal de crimes de guerra do Kosovo em Haia nesta quarta-feira (16). As acusações incluem homicídio, tortura e detenção ilegal.

Aos 58 anos, Thaçi foi sentenciado a 25 anos de prisão pelos crimes que cometeu quando comandava o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), força de etnia albanesa que participou da separação violenta do território em relação à Sérvia na década de 1990.

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Segundo a corte, ele é responsável pela morte de 96 adversários políticos e supostos colaboradores das forças de segurança sérvias, que foram assassinados por combatentes sob seu comando durante o confronto.

A sentença também abrange a prisão ilegal e arbitrária de 385 pessoas, a tortura de 303 vítimas e maus-tratos a outras 49. O tribunal afirma que nenhuma delas participava ativamente das hostilidades no momento dos crimes.

Os magistrados afirmaram que o réu tomou parte ativa nesses atos e os estimulou, agindo dentro de uma organização criminosa que compartilhava um plano comum.

O juiz que presidiu o julgamento, Charles Smith, resumiu a estratégia. “O plano era tão simples quanto prejudicial. Em particular, envolvia: estabelecer centros de detenção em todas as áreas controladas pelo ELK; identificar indivíduos vistos como opositores do ELK; e prendê-los e detê-los e, se necessário, matá-los.”

Segundo ele, os prisioneiros eram submetidos a condições degradantes, espancados, mantidos em celas minúsculas e privados de comida adequada ou atendimento médico.

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Thaçi permaneceu calado durante a leitura do veredicto e da pena, mas havia negado todas as acusações anteriormente. Ele ainda pode contestar a decisão por meio de recurso.

O julgamento foi acompanhado com atenção tanto no Kosovo quanto na Sérvia, já que o legado do confronto de 1998-99 e a declaração de independência de 2008 seguem gerando atritos entre sérvios e albaneses do Kosovo.

Thaçi ainda é visto como herói por parte da população albanesa do território, que rejeita fortemente o próprio tribunal. 

Em Pristina, capital do Kosovo, manifestantes acompanharam o veredicto por um telão e reagiram com vaias e gritos de apoio ao ex-presidente, ao mesmo tempo que algumas pessoas começavam a chorar.

Este veredicto é vergonhoso. A partir de hoje, não haverá paz no Kosovo”, disse Raif Pllana, ex-combatente do ELK que saiu às ruas em apoio a Thaçi no centro da capital.

As Câmaras Especializadas do Kosovo, tribunal com sede em Haia, foram instituídas em 2015 por pressão da comunidade internacional, com a missão de julgar antigos integrantes do ELK por crimes supostamente cometidos durante e depois da guerra.

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