O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi foi condenado pelo tribunal de crimes de guerra do Kosovo em Haia nesta quarta-feira (16). As acusações incluem homicídio, tortura e detenção ilegal.
Aos 58 anos, Thaçi foi sentenciado a 25 anos de prisão pelos crimes que cometeu quando comandava o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), força de etnia albanesa que participou da separação violenta do território em relação à Sérvia na década de 1990.
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Segundo a corte, ele é responsável pela morte de 96 adversários políticos e supostos colaboradores das forças de segurança sérvias, que foram assassinados por combatentes sob seu comando durante o confronto.
A sentença também abrange a prisão ilegal e arbitrária de 385 pessoas, a tortura de 303 vítimas e maus-tratos a outras 49. O tribunal afirma que nenhuma delas participava ativamente das hostilidades no momento dos crimes.
Os magistrados afirmaram que o réu tomou parte ativa nesses atos e os estimulou, agindo dentro de uma organização criminosa que compartilhava um plano comum.
O juiz que presidiu o julgamento, Charles Smith, resumiu a estratégia. “O plano era tão simples quanto prejudicial. Em particular, envolvia: estabelecer centros de detenção em todas as áreas controladas pelo ELK; identificar indivíduos vistos como opositores do ELK; e prendê-los e detê-los e, se necessário, matá-los.”
Segundo ele, os prisioneiros eram submetidos a condições degradantes, espancados, mantidos em celas minúsculas e privados de comida adequada ou atendimento médico.
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Thaçi permaneceu calado durante a leitura do veredicto e da pena, mas havia negado todas as acusações anteriormente. Ele ainda pode contestar a decisão por meio de recurso.
O julgamento foi acompanhado com atenção tanto no Kosovo quanto na Sérvia, já que o legado do confronto de 1998-99 e a declaração de independência de 2008 seguem gerando atritos entre sérvios e albaneses do Kosovo.
Thaçi ainda é visto como herói por parte da população albanesa do território, que rejeita fortemente o próprio tribunal.
Em Pristina, capital do Kosovo, manifestantes acompanharam o veredicto por um telão e reagiram com vaias e gritos de apoio ao ex-presidente, ao mesmo tempo que algumas pessoas começavam a chorar.
“Este veredicto é vergonhoso. A partir de hoje, não haverá paz no Kosovo”, disse Raif Pllana, ex-combatente do ELK que saiu às ruas em apoio a Thaçi no centro da capital.
As Câmaras Especializadas do Kosovo, tribunal com sede em Haia, foram instituídas em 2015 por pressão da comunidade internacional, com a missão de julgar antigos integrantes do ELK por crimes supostamente cometidos durante e depois da guerra.
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