A China reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa, o que encerrou as restrições à compra de carnes da região Norte. A decisão foi anunciada pela Administração Geral das Alfândegas da China no dia 2 de junho e marca o fim de um bloqueio iniciado em 2002. A medida facilita a retomada de exportações brasileiras para o mercado chinês.
Produtores da região Norte passam a ter novamente acesso às vendas para a China, após anos de limites sanitários impostas ao país. O reconhecimento do status sanitário brasileiro deve favorecer o fluxo de carnes bovina, suína e avícola, com impactos diretos no setor pecuário local.
Pesquisa universitária aponta que a mudança pode renovar o fluxo comercial entre Brasil e China. Segundo Thiago Bernardino de Carvalho, Cepea/Esalq-USP, o passo representa avanço relevante para o setor e fortalece relações bilaterais de comércio agropecuário.
Contexto
A febre aftosa é doença viral que afeta bovinos, suínos, ovinos e caprinos, com impacto econômico significativo. Embora risco à saúde humana seja baixo, o problema aumenta custos de controle sanitário e restringe exportações.
O Brasil é hoje um dos maiores exportadores globais de carne bovina e de frango. Em 2025, mais da metade das exportações de carne bovina brasileiras teve como destino a China, maior importadora mundial. Em 2026, o país asiático comprou cerca de US$ 3 bilhões em carnes brasileiras no primeiro trimestre.
Perspectivas para o Norte
O fim das restrições deve ampliar as vendas, beneficiando principalmente produtores da região Norte, que estavam impedidos de exportar para a China. Além disso, a China busca reforçar estoques estratégicos de alimentos para assegurar a segurança alimentar interna.
Especialistas ressaltam que o governo chinês pode estabelecer cotas de importação para conter o ritmo de compras. A adoção de quotas seria uma ferramenta para proteger a produção doméstica sem cancelar, porém, o acordo atual facilita o retorno gradual dos embarques.
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