Em junho, a Ucrânia realizou um ataque de grande escala com drones contra o território russo, atingindo a região de Moscou e provocando interrupções no tráfego aéreo. Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, mais de 500 aeronaves não tripuladas teriam sido interceptadas em diferentes regiões do país. Parte dos drones chegou à região metropolitana de Moscou, onde uma refinaria teria sido alvo da ofensiva.
O episódio evidencia como os sistemas não tripulados estão transformando a guerra entre Rússia e Ucrânia. Além dos drones aéreos empregados em ataques e reconhecimento, a Ucrânia também vem ampliando o uso de robôs terrestres no campo de batalha.
Esses veículos, controlados remotamente, começaram a ser utilizados principalmente no transporte de munição, alimentos e outros suprimentos. Atualmente, também participam de resgates de soldados feridos, instalação de minas, vigilância de posições e operações de combate. As informações sobre o avanço dessa tecnologia foram publicadas em
uma reportagem do The New York Times.

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Robôs ajudam a reduzir exposição de soldados
A adoção dessas máquinas ganhou importância diante da desvantagem numérica da Ucrânia em relação à Rússia. Ao assumir tarefas de alto risco, os robôs ajudam a reduzir a exposição dos combatentes a ataques de drones e artilharia.
Algumas unidades ucranianas já realizam milhares de missões mensais com veículos controlados remotamente. Em determinados batalhões, as máquinas são responsáveis por grande parte das entregas e das operações logísticas próximas à linha de frente.
A reportagem cita o caso de um robô que percorreu cerca de quatro quilômetros em território inimigo para retirar um soldado que havia perdido uma perna após pisar em uma mina. Mesmo atingido durante o trajeto, o veículo conseguiu concluir o resgate.

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Tecnologia surgiu de soluções improvisadas
Parte desse avanço foi impulsionada por mecânicos, soldadores e soldados, que adaptaram veículos para atender às necessidades encontradas no campo de batalha.
Um dos responsáveis por esse movimento é o capitão Oleksandr Kharkovets, comandante de um batalhão de sistemas terrestres da 93ª Brigada Mecanizada. Antes da invasão russa em grande escala, ele trabalhava com eletrônica automotiva.
Em 2023, Kharkovets adaptou um veículo controlado remotamente para retirar soldados de áreas de risco. A experiência ajudou a ampliar o interesse das forças ucranianas pelos equipamentos e marcou o início de uma transformação nas operações terrestres.
Robôs também participam de combates
Além das atividades logísticas, os veículos passaram a receber metralhadoras, explosivos e outros equipamentos. Eles já foram empregados para atacar trincheiras, proteger posições e escoltar soldados russos capturados.
De acordo com a reportagem, uma operação realizada na região de Kharkiv, em dezembro de 2024, reuniu robôs terrestres armados e drones aéreos em um ataque coordenado contra uma posição russa.
Em outra missão, um veículo equipado com uma metralhadora permaneceu durante semanas protegendo uma área disputada. O equipamento deixava o esconderijo durante o dia e retornava à noite para recarregar.

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Equipamentos ainda enfrentam limitações
Apesar dos avanços, os robôs terrestres apresentam dificuldades em áreas abertas, terrenos com obstáculos e trincheiras. Eles também podem ser identificados e destruídos por drones inimigos.
Engenheiros ucranianos trabalham no desenvolvimento de sistemas de navegação, blindagens, baterias mais resistentes e torretas automatizadas capazes de interceptar aeronaves não tripuladas.
Segundo o The New York Times, a Ucrânia pretende produzir 50 mil robôs terrestres em 2026. A Rússia também utiliza equipamentos semelhantes, mas, de acordo com fontes ouvidas pelo jornal, em quantidade menor.
A expansão dessas máquinas indica que tarefas de logística, resgate e combate devem ser cada vez mais transferidas para sistemas controlados remotamente. A evolução, porém, ocorre de forma constante e depende das condições encontradas no campo de batalha.
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