Apenas um em cada três americanos apoia a guerra contra o Irã atualmente, patamar mais baixo desde o início do conflito, há cinco meses. O dado é de uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (27). A maior parte dos entrevistados considera que o presidente Donald Trump não conseguiu deixar claros os objetivos da ofensiva. […]
Apenas um em cada três americanos apoia a guerra contra o Irã atualmente, patamar mais baixo desde o início do conflito, há cinco meses. O dado é de uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (27).
A maior parte dos entrevistados considera que o presidente Donald Trump não conseguiu deixar claros os objetivos da ofensiva.
O levantamento, realizado entre sexta-feira (24) e domingo (26), mostrou ainda que a aprovação geral do presidente republicano chegou a 37%. O percentual representa alta de três pontos em relação ao mês anterior, quando Trump registrou o pior índice de aprovação desde que assumiu o cargo.
O presidente já apresentou diferentes justificativas para o confronto, entre elas apoiar os iranianos numa eventual derrubada de seus líderes, anular a capacidade de mísseis balísticos do país e barrar o desenvolvimento de armas nucleares. Segundo a pesquisa, 69% dos americanos, incluindo quatro em cada dez eleitores republicanos, avaliam que o presidente não deixou claro por que os Estados Unidos se envolveram militarmente no Irã.
A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que Trump não pautará suas decisões por “pesquisas de opinião instáveis” e reafirmou o compromisso do presidente em evitar que o país persa obtenha armamento nuclear. Segundo ela, o que importa ao povo americano é ter um líder disposto a agir com firmeza para proteger sua segurança.
Desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram os bombardeios, em 28 de fevereiro, o apoio à ofensiva nunca ultrapassou 40%, número bem inferior ao registrado nos primeiros meses de outros conflitos.
Ainda que os contextos sejam diferentes, a Guerra do Iraque, entre 2003 e 2011, teve aprovação próxima de 70% em sua fase inicial. Já a Guerra do Afeganistão, que se estendeu de 2001 a 2021, contou com apoio de cerca de 90% da população americana logo no começo, segundo dados do instituto Gallup.
Eleitores dizem não entender motivo do conflito
A rejeição popular à guerra tem impacto direto sobre Trump e o Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de novembro, quando aliados do presidente tentarão manter maiorias apertadas no Congresso.
“Não está claro por que começamos uma guerra contra eles. Não faço ideia”, disse Alex Womack, um especialista aposentado em reparos de turbinas de Stockbridge, na Geórgia, que se tornou republicano em parte porque gostou da forma como o presidente republicano George H.W. Bush lidou com a Guerra do Golfo em 1991.
Womack, que serviu no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA durante aquele conflito, disse que seu apoio a Trump diminuiu por causa da guerra. “Pessoalmente, não acho que ele esteja se saindo muito bem”, afirmou.
Até o momento, 18 militares americanos morreram no confronto, além de milhares de mortos no Irã e no Líbano, onde grupos aliados a Teerã combateram forças israelenses.
O conflito também provocou forte alta nos preços dos combustíveis, afetando o orçamento das famílias americanas. O galão de gasolina (equivalente a 3,8 litros) custa em média pouco mais de 4 dólares no país, ante cerca de 3 dólares no período anterior ao início da guerra, em 28 de fevereiro.
“Isso pressiona o partido de inúmeras maneiras, todas elas negativas”, disse Alex Conant, estrategista político republicano e porta-voz da Casa Branca durante a Presidência de George W. Bush. “Autoridades da Casa Branca vêm dizendo desde janeiro que precisam vencer os debates econômicos. É difícil vencer esses debates quando se está claramente focado na política externa.”
Na mesma pesquisa, eleitores independentes disseram preferir o candidato democrata ao Congresso, por 36% a 20%, e também demonstraram maior confiança nos democratas quando o tema é economia.
Durante campanha, Trump prometeu evitar novos conflitos
Na campanha eleitoral de 2024, Trump afirmou que manteria o país afastado de guerras prolongadas. Na ocasião, chegou a estimar que o confronto com o Irã duraria entre quatro e cinco semanas. O presidente reagiu com irritação a comparações com outras guerras, entre elas a do Vietnã, que se estendeu por duas décadas e resultou na morte de mais de 58 mil soldados americanos.
Rhyan Anderson, um eleitor independente de Fairburn, na Geórgia, que votou em Trump em 2024, acha que o presidente deveria se concentrar nos problemas internos, em vez de ajudar Israel ou outros aliados.
Anderson, que trabalha em dois empregos nas áreas de segurança e coleta de dados, disse esperar que o governo dê atenção às pessoas que vivem no país. Ele afirmou reconhecer a importância das alianças internacionais, mas destacou que há muita gente no território americano que ainda precisa de assistência. Anderson votou no democrata Joe Biden na eleição de 2020.
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