Autoridades espanholas informaram que a chegada de migrantes ao enclave de Ceuta, no norte da África, cessou durante a madrugada deste sábado (1º). No mesmo dia, a Guarda Civil iniciou a montagem de uma barreira flutuante de 500 metros na divisa com o Marrocos, em resposta a uma debandada que resultou em pelo menos 67 […]
Autoridades espanholas informaram que a chegada de migrantes ao enclave de Ceuta, no norte da África, cessou durante a madrugada deste sábado (1º). No mesmo dia, a Guarda Civil iniciou a montagem de uma barreira flutuante de 500 metros na divisa com o Marrocos, em resposta a uma debandada que resultou em pelo menos 67 mortes.
O governo espanhol relatou que cerca de 50 mil pessoas cruzaram para Ceuta por terra e mar desde quinta-feira (30). Trata-se de um fluxo sem precedentes em uma das poucas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano. Segundo Madri, mais de 48 mil dos migrantes já retornaram ao território marroquino no intervalo de 48 horas.
A instalação da nova estrutura pelo quebra-mar do Tarajal, um dos pontos mais usados por quem tenta atravessar para o território espanhol, teve início no sábado às 7h50 no horário local, segundo nota divulgada pelo governo.
De acordo com o comunicado oficial, a barreira pneumática, somada a uma sequência de boias navais fixas, foi projetada para permanecer entre 30 e 70 centímetros acima da linha d’água e se estender até um metro abaixo da superfície. Um corredor entre as estruturas deve permitir a passagem de embarcações da Guarda Civil para o patrulhamento da área.
UE convoca reunião de emergência
A onda de travessias despertou preocupação em todo o bloco europeu. Uma carta conjunta assinada por 22 países-membros pediu medidas coordenadas de proteção das fronteiras externas, entre outras providências.
A Irlanda, atual titular da presidência rotativa da UE, informou ter marcado uma videoconferência emergencial com os ministros do Interior dos países do bloco, a ser realizada na terça-feira (4), para tratar da crise.
Na sexta-feira (31), o premiê espanhol Pedro Sánchez criticou a suspensão, por um mês, do acordo de livre trânsito entre Espanha e Itália dentro do espaço Schengen, decisão tomada pelo governo italiano. Em carta enviada aos presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, Sánchez escreveu: “No atual contexto internacional, a UE não pode se dar ao luxo de ter esse tipo de reação egoísta, polarizadora e ilegal”.
Número de mortos aumenta
Ao menos 67 corpos foram encontrados no território espanhol da fronteira, conforme informações oficiais. Parte das vítimas morreu afogada, enquanto outras foram esmagadas durante a tentativa de subir pelo quebra-mar e pela cerca fronteiriça.
Segundo as autoridades, muitos dos migrantes foram motivados por dificuldades financeiras e informações falsas que circularam em redes sociais.
O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, atribuiu a responsabilidade a organizações de tráfico de pessoas. Segundo ele, essas redes exploram migrantes em situação vulnerável e disseminam interpretações distorcidas de uma decisão recente do Supremo Tribunal da Espanha.
Pela decisão, migrantes interceptados no mar não podem ser devolvidos automaticamente ao Marrocos sem processo formal, caso não haja uma barreira física no local da interceptação.
Em declarações a jornalistas em Ceuta, o ministro afirmou que a normalidade havia sido restabelecida, em grande parte, no período de 24 horas, mas ponderou que a situação ainda não estava formalmente encerrada.
“Marrocos não representa qualquer ameaça para Ceuta ou para o resto da Espanha — é um parceiro totalmente confiável”, declarou Grande-Marlaska, acrescentando não haver indícios de inteligência que apontassem para uma nova entrada em massa.
O AUGC, sindicato que representa a Guarda Civil, pediu reforço mínimo de 200 agentes e alertou para a necessidade de ações adicionais que impeçam a travessia a nado ao redor da nova barreira inflável.
O governo espanhol declarou que pessoas que ingressaram irregularmente em Ceuta ficam impedidas de seguir viagem tanto para o território continental espanhol quanto para qualquer outro país do espaço Schengen.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores da Espanha acrescentou que quem deixa Ceuta por mar ou por via aérea passa por verificação de identidade policial, etapa que funciona como uma segunda barreira de controle além da fronteira terrestre com o Marrocos.
Diferentemente da postura predominante na Europa, a Espanha adotou uma política migratória mais permissiva, tendo criado um programa de regularização que já concedeu residência a mais de meio milhão de pessoas em situação indocumentada.
O governo espanhol, porém, negou que esse programa tenha estimulado a entrada descontrolada em Ceuta. Segundo Madri, os candidatos precisam comprovar residência no país anterior a 1º de janeiro de 2026, além de cinco meses consecutivos de permanência até o momento da inscrição.
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