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Argentina não tomará medidas diplomáticas contra Brasil, diz ministro

Governo brasileiro rebaixou relações com o país vizinho após Javier Milei voltar a insultar Lula

Lula e Milei | Foto: LUIS ROBAYO / AFP
Lula e Milei | Foto: LUIS ROBAYO / AFP
  • A Argentina informou que não responderá com medidas diplomáticas ao rebaixamento das relações decidido pelo Brasil
  • O chanceler Pablo Quirno lamentou a decisão brasileira e afirmou que o governo argentino permanece aberto ao diálogo
  • O Brasil reduziu sua representação diplomática na Argentina ao nível de encarregado de negócios
  • O embaixador brasileiro Julio Bitelli não retornará a Buenos Aires enquanto Javier Milei continuar atacando o presidente Lula
  • A medida foi comunicada ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, durante convocação ao Itamaraty
  • A chancelaria argentina acusou o Brasil de se isolar regionalmente por razões ideológicas
  • O governo argentino afirmou que, em episódios anteriores de divergência política, evitou transformar as declarações em crises diplomáticas
  • A tensão aumentou após Milei chamar Lula de “ladrão” e “corrupto” e acusá-lo de interferir na política argentina

A Argentina não tomará medidas diplomáticas contra o Brasil em resposta ao rebaixamento das relações diplomáticas, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, nesta quarta-feira (5).

“Em toda disputa, todo confronto, são necessários dois. A Argentina lamenta a decisão unilateral do Brasil. Acreditamos que não é o caminho. Estamos sempre dispostos a manter as relações, como disse recentemente em uma entrevista. Do lado nosso, não vai ter nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer”, falou Quirno, em entrevista coletiva.

Nesta terça-feira (4), o Brasil rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina ao nível de encarregado de negócios. Além disso, o governo brasileiro resolveu que embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, não retornará a Buenos Aires enquanto Javier Milei mantiver os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A medida foi comunicada ao embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, convocado novamente ao Itamaraty para ser informado da decisão.

A chancelaria argentina emitiu nota ainda na terça-feira (4) sobre a situação. O comunicado afirma que o Brasil está se isolando do resto da região por “questões puramente ideológicas”.

“A República Argentina toma nota da decisão adotada unilateralmente pelo Governo da República Federativa do Brasil e lamenta sua decisão de continuar se isolando do resto da região por questões puramente ideológicas“, afirmou a chancelaria.

“Nestes últimos anos, houve numerosos episódios de expressões e apoios políticos cruzados entre dirigentes de ambos os países. Em todos os casos, sem exceção, a Argentina escolheu não convertê-los em um incidente diplomático. Nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional. Este é o critério que a Argentina mantém hoje”, disse.

A crise diplomática acontece após o presidente argentino, Javier Milei, voltar a insultar o homólogo brasileiro, Lula. Milei afirmou que o presidente do Brasil é “ladrão” e “corrupto”, e acusou Lula de promover interferência política na Argentina.

*Com informações da Reuters

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