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Milei faz novos ataques a Lula: “Ladrão, corrupto”

Presidente argentino reiterou ofensas ao homólogo brasileiro em meio à crise diplomática entre os países

Javier Milei e Luiz Inácio Lula da Silva, lado a lado - Foto por FABRICE COFFRINI / AFP
Javier Milei voltou a atacar Lula - Foto por FABRICE COFFRINI / AFP

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<li>Milei reforça ataques a Lula: presidente da Argentina voltou a chamar o presidente brasileiro de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”, sem apresentar provas</li>
<li>Crise diplomática: declarações aprofundam o impasse entre Brasil e Argentina, iniciado após falas de Milei em São Paulo</li>
<li>Reação do Brasil: governo brasileiro convocou o embaixador argentino e manifestou repúdio às declarações contra Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes</li>
<li>Argentina tentou reduzir tensão: chanceler Pablo Quirno afirmou que não há possibilidade de rompimento das relações entre os dois países</li>
<li>Novas acusações: Milei voltou a afirmar, sem evidências, que Lula promove interferência política na Argentina e na América do Sul</li>
<li>Contexto eleitoral: Lula oficializou sua candidatura à reeleição, enquanto Milei intensifica o discurso político de olho nas eleições argentinas de 2027</li>
<li>Defesa do governo: Milei destacou a queda da inflação na Argentina, mas reconheceu impactos negativos sobre emprego, indústria e consumo</li>
<li>Críticas ao socialismo: presidente argentino também atacou líderes de esquerda, como Gustavo Petro e Pedro Sánchez, e voltou a defender políticas mais rígidas para imigração</li>
</ul>

O presidente da Argentina, Javier Milei, reforçou neste domingo (2) as acusações contra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista, Milei o chamou, sem evidências, de “ladrão” e “corrupto”, uma semana depois de suas declarações provocarem uma crise diplomática entre as duas maiores economias da América do Sul.

“Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente”, disse o presidente ultraliberal à emissora argentina LN+.

“A pergunta é: eu menti?“, falou Milei ao ser questionado sobre ter chamado Lula de “ladrão”, embora sem citá-lo nominalmente. A fala ocorreu durante o evento de oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — principal opositor do petista nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de outubro.

As declarações de Milei em São Paulo desencadearam uma crise diplomática que começou com a convocação para consultas do embaixador do Brasil na Argentina, em razão “das ofensas proferidas” pelo presidente argentino.

O Brasil também convocou o embaixador argentino em solo brasileiro para manifestar seu “repúdio” e pedir explicações pelas “agressões” do presidente Milei contra Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Ao longo da semana, a Argentina tentou reduzir a tensão provocada pelo incidente diplomático.

+ Lula ironiza pergunta sobre Milei: “Quem é esse cara?”

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, ressaltou que não há qualquer possibilidade de romper relações com o país vizinho. O Brasil é o principal parceiro comercial argentino.

Neste domingo, porém, Milei reafirmou suas declarações de forma direta e enfática. Ele chamou Lula de “ladrão” três vezes seguidas antes de desenvolver críticas e acusações que já havia feito contra o presidente brasileiro em uma entrevista de rádio, sete dias antes.

Milei voltou a acusar Lula de promover “interferência política” na Argentina e na América do Sul.

Aos 80 anos, Lula declarou neste domingo (2) estar “muito bem” ao oficializar sua candidatura a um quarto e último mandato nas eleições de outubro.

Já Milei, embora ainda não tenha lançado oficialmente sua candidatura, intensificou seu discurso de confronto tendo em vista a próxima disputa presidencial argentina, que acontecerá em outubro de 2027.

Durante a entrevista, Javier repetiu em várias ocasiões que, a respeito de uma possível reeleição, só compete consigo mesmo, ao destacar as conquistas de seu governo, iniciado em dezembro de 2023.

Milei aplicou fortes cortes nos gastos públicos, que permitiram reduzir a inflação — 161% interanual quando ele assumiu o poder, contra os atuais 33,5% —, mas que afetaram o emprego, a atividade industrial e o consumo.

Socialismo no alvo

Fiel ao seu estilo, o presidente argentino criticou o fato de suas declarações provocarem indignação e defendeu a veracidade de suas palavras. Ele lembrou que, quando é criticado por opositores políticos, como o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ou pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, não há as mesmas reações de reprovação.

“Quando me insultam, tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado”, afirmou.

Em outro trecho da entrevista, ele fez duras críticas ao socialismo. Ele citou, em especial, decisões políticas adotadas em parte da Europa em temas como a imigração.

Milei criticou o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, ao ser questionado sobre a crise na cidade autônoma de Ceuta, após uma onda migratória sem precedentes no enclave espanhol no norte da África.

Ele também acusou, sem apresentar evidências, Sánchez de nacionalizar imigrantes para “que votem nele e, digamos, perpetuar sua tirania”.

Na Espanha, os cidadãos votam para eleger os congressistas. Uma vez formado o Parlamento, os deputados escolhem o presidente do Governo.

A Espanha informou no domingo que pelo menos 72 pessoas morreram ao tentar atravessar a fronteira a partir do Marrocos.

A onda migratória em Ceuta abriu uma crise internacional para a Espanha. Os aliados europeus criticam Madri por suas políticas favoráveis à regularização dos migrantes.

Do outro lado do oceano, Milei aproveitou o tema para reiterar sua posição de que os imigrantes deveriam pagar por alguns serviços públicos no país de acolhida.

*Com informações da AFP

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