Uma comissão do Senado dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira (06) que o Dr. Anthony Fauci deve ser punido por desacato ao Congresso. A determinação ocorre depois que o ex-principal responsável por doenças infecciosas do país se negou a responder perguntas sobre a condução da pandemia de Covid-19. Fauci, que liderou o Instituto Nacional de Alergia […]
Uma comissão do Senado dos Estados Unidos decidiu nesta quinta-feira (06) que o Dr. Anthony Fauci deve ser punido por desacato ao Congresso. A determinação ocorre depois que o ex-principal responsável por doenças infecciosas do país se negou a responder perguntas sobre a condução da pandemia de Covid-19.
Fauci, que liderou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas por 38 anos, tornou-se o rosto da resposta dos EUA à pandemia e um alvo principal da revolta em relação às medidas adotadas contra o vírus que matou mais de 1,1 milhão de norte-americanos.
A Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais acolheu a moção proposta por seu presidente, o republicano Rand Paul, do Kentucky, que há tempos mantém disputas públicas com Fauci. A votação veio depois de uma audiência realizada na semana passada, na qual Fauci, hoje com 85 anos e aposentado desde 2022, recorreu à Quinta Emenda mais de cem vezes.
A Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos garante a qualquer pessoa o direito de não produzir provas contra si mesma. Na prática, isso permite que uma testemunha se recuse a responder perguntas que possam incriminá-la em um processo.
O atual presidente americano, Donald Trump e diversos setores conservadores voltaram suas críticas a ele por causa das medidas de isolamento, das recomendações sobre uso de máscaras e distanciamento social, além do incentivo à vacinação. Esse tema especificamente ganhou forte carga política, mesmo com a comprovação científica de segurança e eficácia dos imunizantes.
Fauci e outras autoridades sanitárias ao redor do planeta defenderam essas ações com base no conhecimento científico disponível na época.
Ainda em janeiro de 2025, o então presidente Joe Biden concedeu a Fauci um indulto de caráter preventivo, como forma de blindá-lo contra “processos infundados e de motivação política” ligados à Covid-19 ou à sua atuação no combate à doença. A medida, porém, não alcança eventuais condutas praticadas depois desse período.
Paul afirmou que Fauci não tinha direito válido à Quinta Emenda porque o perdão a anulou e porque Fauci renunciou a qualquer proteção remanescente ao testemunhar.
Fauci disse à comissão que Paul o havia intimado apenas para forçá-lo a prestar depoimento que apoiasse as repetidas promessas públicas do senador de vê-lo preso.
Não foi possível entrar em contato imediatamente com um representante de Fauci para comentar o assunto.
Um encaminhamento por desacato normalmente deve ser aprovado por uma comissão do Congresso e, em seguida, pelo Senado em plenário, o que provavelmente exigiria uma maioria de 60 votos, necessitando do apoio dos democratas, o que é altamente improvável, dada a defesa de Fauci por parte do partido.
Mas Paul sugeriu que a votação pode ser desnecessária, dizendo à Fox News que poderia enviar a denúncia diretamente ao Departamento de Justiça acompanhada de um parecer jurídico.
O gabinete de Paul não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Se a denúncia for adiante, a promotoria em Washington, dirigida por Jeanine Pirro, que é aliada de Trump, a analisaria e decidiria se deve solicitar uma acusação formal por um grande júri.
Fauci também enfrenta investigações em nível estadual, com a Louisiana se juntando à Flórida e ao Alabama na investigação de sua conduta durante a pandemia. Um perdão federal não impede acusações estaduais.
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