Nesta quinta-feira (13), Cuba celebrou o aniversário de 100 anos de nascimento de Fidel Castro. As comemorações ocorrem em um cenário de apagões prolongados, escassez de combustível e sanções do governo de Donald Trump.
Nesta quinta-feira (13), Cuba celebrou o aniversário de 100 anos de nascimento de Fidel Castro. As comemorações ocorrem em um cenário de apagões prolongados, escassez de combustível e sanções do governo de Donald Trump.
Em Cuba, mais de 1.500 ativistas e representantes de organizações de solidariedade de mais de 60 países participaram, ao longo da semana, das homenagens ao líder da Revolução Cubana.
Entre os presentes, o frade dominicano Frei Betto leu uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o evento “Fidel: legado e futuro”. Em um trecho, Lula reconheceu a influência do revolucionário cubano na trajetória do líder sindical do ABC paulista.
“O legado de Fidel nos fala hoje com mais força do que nunca”, afirmou o presidente cubano Miguel Díaz-Canel. Ele também disse que Fidel deve ser lembrado não apenas como figura histórica, mas também como ‘guia’ para enfrentar os desafios da ‘Cuba real de 2026’.”
Quem foi Fidel Castro?
Fidel Castro nasceu em 13 de agosto de 1926, na província de Holguín, no leste de Cuba. Ao lado de seu irmão, Raúl Castro, e dos revolucionários Ernesto “Che” Guevara e Camilo Cienfuegos, Fidel liderou a rebelião que culminou na queda de Fulgencio Batista, em 1959.
Em 1953, ele liderou um ataque contra o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, numa tentativa de iniciar uma revolta. A ação fracassou, dezenas de pessoas foram mortas e Fidel foi preso. No julgamento, fez a defesa que ficou conhecida pela frase: “A história me absolverá.”
Anos depois, em 1956, ele voltou a Cuba após viver no exílio no México e liderou a guerrilha na Sierra Maestra ao longo de três anos, até a fuga de Batista em 1º de janeiro. No primeiro ano do regime comunista cubano, Fidel promoveu reforma agrária, expropriações e nacionalizações.
Ao longo das décadas, Cuba viveu momentos de tensão com os Estados Unidos durante a Guerra Fria. Dois dos episódios mais marcantes do período foram a invasão da Baía dos Porcos e a Crise dos Mísseis.
O primeiro aconteceu em 1961, quando exilados cubanos treinados pela CIA tentaram derrubar Fidel. No ano seguinte, o presidente dos EUA, John Kennedy, anunciou um bloqueio naval a Cuba após a União Soviética instalar mísseis nucleares na ilha, que fica a cerca de 150 km do estado norte-americano da Flórida.
Na terça-feria (11), o Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um vídeo que retoma a Doutrina Monroe e afirma que o país pretende manter sua predominância no Hemisfério Ocidental.
“A Doutrina Monroe moldou a política externa dos EUA por mais de dois séculos. O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, diz a legenda.
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Crise energética pressiona a ilha
As homenagens ocorrem em meio a mais uma onda de apagões e escassez de energia na ilha, resultado do endurecimento das sanções dos EUA. Em janeiro, o governo de Donald Trump adotou medidas para restringir o abastecimento de petróleo a Cuba e pressionar o governo cubano. Meses depois, a Casa Branca também endureceu sanções contra autoridades e setores ligados ao regime.
A crise energética afeta praticamente toda a ilha. Em várias províncias, os apagões passam de 20 horas por dia, prejudicando a produção de alimentos, o transporte, o turismo e a rotina da população. Somente em julho, o sistema elétrico cubano registrou três falhas nacionais.
Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas condenaram a postura dos Estados Unidos com Cuba e pediram à comunidade internacional que atue rapidamente para evitar que uma “Gaza silenciosa” venha a se formar na ilha.
“Os alimentos nunca devem ser usados como instrumento de pressão política. Medidas que, conscientemente, privam uma população dos meios de sobrevivência atentam contra as garantias mais básicas do direito à vida e prejudicam a essência da dignidade humana”, afirmaram os especialistas.
Diante da crise, o governo cubano aprovou em junho um pacote de 176 medidas econômicas para ampliar a participação de investimentos privados e estrangeiros na economia. Se aplicadas integralmente, as mudanças representariam uma das maiores aberturas de mercado na ilha desde a revolução liderada por Fidel Castro.
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Com informações da Reuters
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