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Tropas dos EUA concluem saída do Iraque após 20 anos de ocupação militar

Teerã celebra a saída, mas iraquianos temem avanço de milícias pró-Irã e reorganização do Estado Islâmico

Soldado de uniforme camuflado, capacete e colete corre em um terreno de terra, seguido por dois militares armados com fuzis. Ao fundo há uma nuvem de fumaça lilás.
Militar dos EUA conduz treinamento de soldados iraquianos em Baquba, em 2011 (Crédito: Emmanuel Rios/DVIDS)

As tropas dos Estados Unidos concluíram a missão no Iraque nesta quarta-feira (30), depois de mais de 20 anos de ocupação militar no país. A saída desperta o receio de um vácuo de segurança capaz de fortalecer milícias xiitas alinhadas ao Irã e de abrir espaço para a reorganização do Estado Islâmico.

Os últimos militares partiram principalmente de uma base aérea em Erbil, na região curda semiautônoma. Teerã e seus aliados celebraram a retirada como uma vitória, mas muitos iraquianos temem que as forças de segurança do próprio país ainda não estejam preparadas.

A saída foi acertada em 2024, na gestão de Joe Biden, e colocada em prática pelo governo de Donald Trump, que ao mesmo tempo trava uma guerra contra o Irã, vizinho do Iraque.

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A retirada ocorre 23 anos após a derrubada de Saddam Hussein por forças lideradas pelos EUA, o que abriu um longo período de instabilidade e caos. Os soldados norte-americanos chegaram a deixar o país no fim de 2011, mas retornaram menos de três anos depois, quando o Estado Islâmico dominou um terço do território iraquiano.

O conflito no Iraque, o maior travado pelos Estados Unidos neste século, deixou mais de 4.500 militares norte-americanos mortos, cerca do dobro das baixas da guerra simultânea no Afeganistão. Segundo o projeto Iraq Body Count, mais de 200 mil civis iraquianos perderam a vida.

De acordo com o Pentágono, os EUA e os países da coalizão encerraram oficialmente a “Operação Resolução Inerente”. O órgão também informou que continuará oferecendo treinamento específico e apoio de inteligência às forças iraquianas.

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A partir de agora, caberá aos iraquianos conduzir a segurança do país, que mantém alianças tanto com Washington quanto com Teerã, e conter o que resta do Estado Islâmico.

“O fim da missão da coalizão internacional não significa o fim de nossa batalha contra o terrorismo, mas sim a transição do Iraque para uma fase em que o país assume total responsabilidade por sua segurança e estabilidade”, declarou em nota o primeiro-ministro iraquiano, Ali Faleh al-Zaidi.

Desde a queda de Saddam, o Irã vem ampliando de forma contínua sua influência no Iraque por meio de grupos aliados.

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Embora boa parte dos iraquianos veja com bons olhos a saída das tropas norte-americanas, há quem duvide que as forças de segurança locais, treinadas e financiadas pelos EUA, já tenham condições de proteger o país.

“A lição das últimas duas décadas é que vácuos de segurança podem ser extremamente perigosos“, afirmou Jassim al-Bahadli, analista iraquiano que presta assessoria às forças de segurança.

Adil Salman, de 45 anos, professor de inglês no ensino médio, avaliou que os iraquianos “não devem se apressar em comemorar” a retirada.

“As milícias ainda operam fora do controle do Estado e o Estado Islâmico ainda não desapareceu“, disse ele.

“Estou preocupado que a saída dos EUA possa levar a um novo período de instabilidade. No fim das contas, as pessoas vão julgar essa decisão com base em uma coisa: se a segurança permanecerá estável nos próximos anos“, completou.

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Como as tropas norte-americanas atuavam no país ao lado de grupos armados ligados ao Irã, o Iraque acabou envolvido na guerra deste ano.

Desde fevereiro, quando Trump lançou a “Operação Fúria Épica” contra o Irã em conjunto com Israel, 18 militares dos EUA foram registrados como mortos, sete deles no Iraque. O caso mais recente foi o de um sargento do Exército, morto em julho durante a detonação controlada de um drone em uma base próxima a Erbil.

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