Os Estados Unidos acusam o Brasil e mais de 40 países de fazer parte de uma rede internacional que pode ser usada para driblar tarifas americanas sobre produtos chineses. A acusação aparece no relatório The Great Transshipment Scam, divulgado pelo governo de Donald Trump nesta quinta-feira (13).
O documento inclui o Brasil em um grupo de seis países classificados em nível 2 como “líderes em escala, com integração econômica significativa com a China”. Segundo o relatório, essa categoria reúne países com volumes relevantes de mercadorias ligadas à China e integração com cadeias de fornecimento, plataformas de produção, sistemas logísticos e rotas de redirecionamento.
Já o Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan aparecem em nível 1, como os que movimentam grandes volumes absolutos de mercadorias ligadas à China.
O relatório, porém, não afirma que todo o comércio entre Brasil e China seja ilegal nem que todas as mercadorias chinesas que passam pelo Brasil sejam objeto de fraude. O próprio documento ressalta que parte da mudança nas rotas comerciais pode refletir alterações legítimas na produção, nos investimentos e no comércio internacional.
Os Estados Unidos acusam o Brasil e outros países de fazer parte de uma rede internacional que pode ser usada para driblar tarifas americanas sobre produtos chineses. A acusação aparece no relatório “O Grande Esquema do Transbordo”, divulgado pelo governo de Donald Trump nesta quinta-feira (13).
O documento inclui o Brasil em um grupo de seis países classificados em nível 2 como “líderes em escala, com integração econômica significativa com a China”. Segundo o relatório, essa categoria reúne países com volumes relevantes de mercadorias ligadas à China e integração com cadeias de fornecimento, plataformas de produção, sistemas logísticos e rotas de redirecionamento.
O relatório, porém, não afirma que todo o comércio entre Brasil e China seja ilegal nem que todas as mercadorias chinesas que passam pelo Brasil sejam objeto de fraude. O próprio documento ressalta que parte da mudança nas rotas comerciais pode refletir alterações legítimas na produção, nos investimentos e no comércio internacional.
Ao apresentar o relatório a jornalistas, o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, afirmou que o esquema teria permitido à China utilizar terceiros países para evitar tarifas americanas.
“Durante anos, o grande esquema de transbordo permitiu que a China comunista lavasse suas exportações para mais de 40 países, roubasse dezenas de bilhões de dólares do nosso Tesouro e furtasse os salários dos trabalhadores americanos”, disse Navarro.
Acusações dos EUA
De acordo com o governo americano, produtos fabricados na China podem ser enviados para um terceiro país antes de chegarem aos Estados Unidos. Nesse caminho, podem ocorrer atividades como montagem leve, acabamento, embalagem, troca de etiquetas, alteração de documentos ou reemissão de notas fiscais.
O objetivo seria fazer com que produtos de origem chinesa aparentem ter origem em outro país e, dessa forma, recebam uma tarifa menor quando entram no mercado americano.
O relatório chama essa estrutura de “Shadow Transshipment Network” (“Rede de Transbordo das Sombras”). Segundo o documento, ela envolve centros de produção, plataformas logísticas, zonas de livre comércio, armazéns e pontos de reexportação espalhados por mais de 40 países.
O Brasil aparece também entre os países que formam os chamados “corredores latino-americanos”, ao lado de Argentina, Chile, Colômbia e Peru. O relatório afirma que esses corredores podem ser usados para redirecionamento de mercadorias, armazenamento e montagem regional de produtos ligados à China.
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União Europeia enquadrada em nível 1
Enquanto o Brasil foi colocado em nível 2, o Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan aparecem em nível 1, como os que movimentam grandes volumes absolutos de mercadorias ligadas à China.
Já o nível 3, segundo o relatório, reúne os chamados “pequenos alvos oportunistas chineses”. São países com volumes absolutos menores de transbordo ilegal, mas que apresentam características que podem facilitar o redirecionamento de produtos ligados à China, como mão de obra de baixo custo, zonas de livre comércio, acesso a portos ou fronteiras, armazéns alfandegados e capacidade de montagem especializada.
Nesse, foram colocados os seguintes países: Argentina, Azerbaijão, Bangladesh, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Geórgia, Jordânia, Cazaquistão, Quênia, Laos, Marrocos, Mianmar, Omã, Panamá, Peru, Filipinas, Singapura.
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EUA dizem que tarifas criaram incentivo para o desvio
Segundo o relatório, o problema ganhou força depois que Trump impôs, em 2018, tarifas sobre produtos chineses. O governo americano afirma que, após as medidas, parte das mercadorias que antes seguia diretamente da China para os EUA passou a circular por países com tarifas menores.
Segundo o relatório, os produtos chineses enfrentam nos Estados Unidos uma tarifa média de cerca de 50%. A avaliação americana é que a diferença entre as tarifas cobradas da China e as aplicadas a outros países criou um incentivo financeiro para o redirecionamento das mercadorias.
O documento estima que o volume anual de possíveis transbordos ilegais de mercadorias relacionadas à China pode variar de US$ 40 bilhões a US$ 303 bilhões, dependendo da metodologia utilizada. As estimativas não devem ser somadas, porque usam bases de dados e critérios diferentes.
Na estimativa considerada central pelo relatório, de US$ 75 bilhões anuais em transbordo ilegal, os autores calculam potencial perda de cerca de 450 mil empregos nos Estados Unidos, redução de US$ 113 bilhões a US$ 150 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) e perda de US$ 19 bilhões a US$ 26 bilhões em receitas federais.
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