O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira (12) que o governo americano avalia ampliar para operações terrestres a ofensiva contra organizações de tráfico de drogas na América Latina. Segundo ele, os Estados Unidos trabalham com Colômbia, Equador e outros países aliados para levar o combate aos grupos criminosos para seus […]
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira (12) que o governo americano avalia ampliar para operações terrestres a ofensiva contra organizações de tráfico de drogas na América Latina. Segundo ele, os Estados Unidos trabalham com Colômbia, Equador e outros países aliados para levar o combate aos grupos criminosos para seus territórios.
O secretário afirmou que organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas, quando alvo de operações em parceria com governos aliados, poderão ser consideradas alvos legítimos das forças americanas. A declaração ocorre após os EUA classificarem o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, em junho.
Durante um curso de treinamento de operações na selva, no Panamá, Hegseth disse que as ações em terra poderão seguir estratégias utilizadas pelos Estados Unidos contra organizações como o Estado Islâmico (ISIS) e a Al-Qaeda.
“Organizações designadas como terroristas, em parceria com governos aliados, serão alvos legítimos do governo dos Estados Unidos”, disse Hegseth. “Em qualquer lugar onde você, traficante drogas, que ameace o povo americano ou nossos parceiros, você é um alvo, assim como o Estado Islâmico (ISIS) ou a Al-Qaeda. Passamos 25 anos aperfeiçoando a cadeia de eliminação, aprendendo como identificar e atacar redes do outro lado do mundo”, afirmou.
Hegseth também disse que os Estados Unidos estão trabalhando com Colômbia e Equador para atingir diretamente as organizações de tráfico. “Estamos trabalhando com o Equador, com a Colômbia e com nossos parceiros para levar a luta contra as organizações de tráfico de drogas até as terras das organizações”, declarou.
A possibilidade de ações conjuntas com a Colômbia, vizinha do Brasil, foi reforçada durante uma reunião da Coalizão das Américas contra os Cartéis, realizada no Panamá. A Colômbia passou a integrar a coalizão como 19º membro. Hegseth afirmou que Bogotá autorizou “operações militares conjuntas para destruir terroristas e redes terroristas”.
🔎 A Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C) é uma aliança militar multinacional liderada pelos Estados Unidos e criada em março de 2026 para coordenar ações contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional no Hemisfério Ocidental. O Brasil não integra o grupo.
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Ofensiva contra cartéis
Hegseth afirmou que a estratégia abrangerá diferentes tipos de tráfico na região, da cocaína produzida na América do Sul ao comércio de fentanil associado ao México. Segundo ele, o Comando Sul (SOUTHCOM) e o Comando Norte (NORTHCOM) dos Estados Unidos estão sendo preparados para atuar de forma coordenada no Hemisfério Ocidental.
“Esta é uma luta em rede que estamos capacitando o SOUTHCOM e o NORTHCOM juntos no Hemisfério Ocidental para executar impiedosamente”, disse.
Hegseth também citou mudanças recentes na Venezuela e afirmou que os Estados Unidos pretendem ampliar sua presença militar e suas parcerias na América Latina.
O secretário classificou os Estados Unidos como o “parceiro preferencial” da região e criticou a influência de China, Rússia e Irã. Ele mencionou ainda a ampliação da cooperação militar com o Panamá e a presença americana nas proximidades do Canal do Panamá.
Durante o discurso, Hegseth apresentou uma versão atualizada da Doutrina Monroe, que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência ao presidente Donald Trump. Segundo ele, os Estados Unidos pretendem defender o Hemisfério Ocidental de ameaças externas, incluindo organizações criminosas e influências estrangeiras.
O governo Trump anunciou recentemente um plano para fornecer US$ 1 bilhão em assistência à Colômbia. O novo governo colombiano também sinalizou disposição para intensificar o combate ao narcotráfico. O presidente Abelardo De La Espriella prometeu combater as plantações ilícitas e aderir ao programa “Escudo das Américas”, criado pelo governo Trump.
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* Com informações da agência Reuters.
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