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Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua na China

Justiça chinesa condenou o empresário Hui Ka Yan e determinou o confisco de todos seus bens pessoais

Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua na China | Foto: Reuters
Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua na China | Foto: Reuters

A Justiça chinesa condenou nesta quinta-feira (20) Hui Ka Yan, fundador do Evergrande Group, à prisão perpétua. A decisão ocorre cinco anos após o colapso da incorporadora, que se tornou um dos principais símbolos da crise imobiliária da China.

Hui, de 67 anos, já foi o homem mais rico da Ásia. Ele havia se declarado culpado em abril de oito acusações, entre elas uso indevido de recursos, fraude na captação de dinheiro, captação ilegal de depósitos, concessão irregular de empréstimos, emissão fraudulenta de títulos e suborno.

A Justiça chinesa condenou nesta quinta-feira (20) Hui Ka Yan, fundador do Evergrande Group, à prisão perpétua. A decisão ocorre cinco anos após o colapso da incorporadora, que se tornou um dos principais símbolos da crise imobiliária da China.

Hui, de 67 anos, já foi o homem mais rico da Ásia. Ele havia se declarado culpado em abril de oito acusações, entre elas uso indevido de recursos, fraude na captação de dinheiro, captação ilegal de depósitos, concessão irregular de empréstimos, emissão fraudulenta de títulos e suborno.

O tribunal de Shenzhen também determinou o confisco de todos os bens pessoais do empresário.

A Evergrande, que já foi a maior incorporadora da China em vendas contratadas, acumulou mais de US$ 300 bilhões em passivos e deixou de pagar grande parte de suas dívidas. A crise da empresa afetou investidores, credores e compradores de imóveis e agravou os problemas do setor imobiliário chinês.

Em comunicado, o tribunal afirmou que os crimes envolvendo Hui, a Evergrande e a Hengda Real Estate movimentaram valores elevados, causaram grandes prejuízos econômicos e tiveram forte impacto social.

Além da condenação de Hui, a Evergrande foi multada em 8,82 bilhões de yuans, cerca de US$ 1,31 bilhão, enquanto a Hengda recebeu multa de 7 bilhões de yuans. Outros cinco executivos foram condenados a penas de seis a 18 anos de prisão.

Ao todo, 56 pessoas ligadas à empresa, além de Hui, receberam sentenças nesta quinta-feira, segundo a emissora estatal CCTV.

Colapso afetou milhares de investidores

A Evergrande enfrentou protestos após deixar de pagar bilhões de dólares em produtos de gestão de patrimônio vendidos a investidores. Muitos deles perderam grande parte ou a totalidade dos recursos aplicados.

Hui era um técnico siderúrgico criado pela avó em uma vila rural na China antes de, em 1996, fundar a empresa e construir uma das maiores fortunas da Ásia. Em 2017, seu patrimônio chegou a US$ 45,3 bilhões, segundo a Forbes.

A empresa entrou em processo de liquidação após decisão de um tribunal de Hong Kong em 2024 e foi retirada da Bolsa de Hong Kong no ano passado.

O processo de recuperação dos ativos, porém, avança lentamente. Até agosto passado, cerca de US$ 255 milhões haviam sido recuperados, diante de aproximadamente US$ 45 bilhões em créditos cobrados por credores.

Liquidatários também tentam bloquear bens no exterior de Hui e de sua ex-esposa para recuperar cerca de US$ 6 bilhões em dividendos e pagamentos feitos ao fundador e a ex-executivos.

Em 2024, o órgão regulador do mercado de capitais da China também multou Hui em US$ 6,6 milhões e o proibiu de atuar no mercado financeiro após concluir que a principal unidade da Evergrande havia inflado resultados e cometido fraude.

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