Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Quase 500 presos na França nesta terça (6) em protestos por mudanças na educação

Macron convocou reunião de emergência, Trump se manifestou e Irã acusou Paris de "tratamento violento" aos manifestantes

Multidão de jovens, muitos com máscaras e lenços no rosto, ergue os punhos e grita em uma praça. Ao fundo, dezenas de pessoas estão sentadas e de pé sobre um grande monumento de bronze com uma figura feminina no topo, sob céu azul com nuvens.
Estudantes ocupam a estátua da Place de la République, em Paris, no fim de mais um dia de protestos (Crédito: Dimitar Dilkoff/AFP)

Ao menos 488 pessoas foram presas durante protestos contra a precariedade das escolas de ensino médio na França nesta terça-feira (6), de acordo com o Ministério do Interior. A pasta informou ainda que 43 agentes das forças de segurança ficaram feridos nos atos, marcados por episódios pontuais de violência.

Pais, professores e sindicalistas se uniram ao movimento estudantil em Paris e em outras cidades. O governo contabilizou 256 mil manifestantes em todo o país, enquanto os sindicatos organizadores falam em 450 mil.

A escalada levou o presidente Emmanuel Macron a convocar uma reunião de emergência. Segundo uma fonte do governo, o encontro deve ocorrer no fim da noite com a presença de integrantes do alto escalão, entre eles o ministro do Interior, Laurent Nuñez, e o ministro da Educação, Édouard Geffray.

Protestos estudantis se espalham pela França; 6.100 pessoas foram detidas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também comentou a situação nesta terça e atribuiu a crise francesa à “migração em massa” e ao Islã. A declaração reforça a narrativa de direita que ele tenta projetar no cenário internacional às vésperas de difíceis eleições de meio de mandato nos EUA.

Os protestos na França começaram no fim de setembro, quando estudantes bloquearam a entrada de centenas de escolas de ensino médio, que atendem jovens de 15 a 17 anos. Eles reclamam da deterioração das instalações e da falta de professores.

Adolescente perde mão ao pegar granada em atos sobre escolas na França

Denúncias de violência policial

Organizações de direitos humanos, sindicatos e estudantes acusam as autoridades de uso desproporcional da força. Na segunda-feira (5), um adolescente perdeu uma das mãos após a polícia disparar uma granada de efeito moral. No noroeste de Paris, um aluno de 14 anos perdeu vários dentes ao ser atingido no rosto por uma granada de gás lacrimogêneo, e um policial foi indiciado nesta terça pelo caso.

Segundo um repórter da AFP, a marcha em Paris foi majoritariamente pacífica, mas a tensão cresceu no trecho final, com bombas lançadas pela polícia e pedras atiradas por manifestantes. Em outros atos pelo país, houve incêndios, pontos de ônibus destruídos e confrontos com a tropa de choque, que reagiu com cassetetes, gás e munição de controle de distúrbios.

Estudantes e polícia entram em confronto durante protestos na França

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu condenou a violência e rejeitou as acusações de “repressão policial”. “Incendiar uma escola não melhora o estado dos prédios escolares”, disse no Parlamento. Ele anunciou que as escolas vão suspender as aulas por meio dia entre quarta (7) e sexta-feira (9), para permitir a “democracia interna”. O governo também acusa a França Insubmissa (LFI), de esquerda radical, de estimular o movimento.

Irã convoca embaixador francês

O governo iraniano convocou nesta terça o embaixador da França em Teerã, Pierre Cochard, devido à forma como as autoridades francesas lidam com os estudantes, segundo a imprensa estatal do país.

Teerã acusa Paris de “tratamento violento” aos manifestantes e de “violações graves e flagrantes dos direitos humanos”. A relação entre os dois países se deteriora há meses, e ambos expulsaram diplomatas um do outro em agosto.

Irã já executou mais de 500 pessoas em 2026, aponta ONG

Em janeiro, o próprio Irã enfrentou uma onda de protestos antigovernamentais que, segundo as autoridades locais, deixou mais de 3.000 mortos. Teerã atribuiu as mortes a “atos terroristas” orquestrados por EUA e Israel, enquanto ONGs sediadas no exterior afirmam que as forças de segurança atiraram contra os manifestantes.

Milhares de presos

Desde o início do movimento, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas, segundo o Ministério da Educação.

Mais de 6.500 pessoas, a maioria menores de idade, foram presas no período. O governo informou ainda que 215 estudantes, 715 policiais e 85 profissionais da educação ficaram feridos.

Estudantes ateiam fogo em duas escolas em meio a onda de protestos na França

Na segunda, a Anistia Internacional pediu que as autoridades francesas “ponham fim à repressão policial desproporcional observada nos últimos dias durante os protestos estudantis”.

Nuñez informou que a polícia abriu dez investigações internas sobre denúncias de má conduta.

Na vizinha Bélgica, estudantes iniciaram um movimento semelhante em Liège. Nesta terça, vários deles foram detidos após o que a polícia descreveu como confrontos e vandalismo durante uma manifestação.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais