O ex-comandante militar dos sérvios da Bósnia Ratko Mladic morreu nesta quinta-feira (27) em Haia. Condenado à prisão perpétua pela justiça internacional, ele ficou conhecido como “açougueiro da Bósnia” por seu papel no massacre de Srebrenica.
Mladic, de 84 anos, enfrentava um quadro grave de saúde havia meses. Segundo a emissora estatal sérvia RTS, ele morreu em um hospital penitenciário da capital holandesa.
A morte foi confirmada pelo Mecanismo Residual Internacional dos Tribunais Penais. Em comunicado, o tribunal das Nações Unidas informou que Mladic faleceu enquanto estava internado em Haia.
O ex-comandante militar dos sérvios da Bósnia Ratko Mladic morreu nesta quinta-feira (27) em Haia. Condenado à prisão perpétua pela justiça internacional, ele ficou conhecido como “açougueiro da Bósnia” por seu papel no massacre de Srebrenica.
Mladic, de 84 anos, enfrentava um quadro grave de saúde havia meses. Segundo a emissora estatal sérvia RTS, ele morreu em um hospital penitenciário da capital holandesa.
A morte foi confirmada pelo Mecanismo Residual Internacional dos Tribunais Penais. Em comunicado, o tribunal das Nações Unidas informou que Mladic faleceu enquanto estava internado em Haia.
A juíza uruguaia Graciela Gatti Santana, responsável pelo caso, determinou a abertura de uma investigação completa sobre as circunstâncias da morte.
O óbito ocorreu poucos dias depois de a Justiça da ONU negar um pedido da família de Mladic e do governo sérvio para transferi-lo a um hospital militar em Belgrado.
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Mladic comandou as forças sérvias da Bósnia durante o conflito de 1992 a 1995. Considerado um herói por parte da população sérvia, passou a ser visto internacionalmente como responsável por crimes graves, entre eles o cerco a Sarajevo e o massacre de Srebrenica.
Ele foi capturado em 2011 na cidade sérvia de Lazarevo, depois de 16 anos escondido, e extraditado para Haia. Lá, foi julgado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia.
Em 2017, a corte o condenou à prisão perpétua por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito bósnio, que causou cerca de 100 mil mortes. A sentença foi mantida em julgamento de apelação em 2021.
Durante a guerra nos Bálcãs, Mladic representava a face militar de um trio que incluía também o então presidente iugoslavo Slobodan Milosevic e o líder político dos sérvios da Bósnia Radovan Karadzic.
O massacre de Srebrenica
O crime mais grave atribuído a Mladic ocorreu em julho de 1995. Sob seu comando, forças sérvio-bósnias mataram cerca de oito mil homens e adolescentes muçulmanos bósnios que haviam buscado abrigo em Srebrenica, área que consideravam protegida pela ONU.
Registros da época mostram Mladic distribuindo doces para crianças pouco antes de elas e as mulheres da região serem retiradas de ônibus. Os homens foram levados a uma área de mata e mortos.
Os corpos das vítimas foram enterrados em valas comuns. Parte delas foi escavada e os restos foram enterrados novamente em outros locais, em uma tentativa de esconder as provas do crime.
Sobreviventes relataram mortes, torturas e estupros cometidos pelas forças sob comando de Mladic.
Anos como foragido
O TPIJ formalizou a acusação contra Mladic em novembro de 1995, quando ele já havia sido afastado do cargo. Ainda assim, ele conseguiu escapar da captura por mais 16 anos.
Inicialmente, viveu com certo conforto, protegido por setores do Exército sérvio. Parte da população sérvia ainda o considera uma figura heroica.
A situação mudou depois da queda de Milosevic, em 2000, quando Mladic entrou na clandestinidade. Prisões de aliados enfraqueceram sua rede de proteção, e ele se tornou um obstáculo para os planos da Sérvia de ingressar na União Europeia.
O ex-alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al Hussein, chegou a definir o ex-general como “a quintessência do mal“.
Reação da Rússia
Após a morte de Mladic, a Rússia criticou o tribunal responsável por sua condenação. “O desrespeito deliberado às regras básicas de imparcialidade e de tratamento justo de condenados por motivos políticos permanecerá para sempre como parte do lamentável ‘legado’ do TPIJ“, afirmou o governo russo, em referência ao Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia.
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