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Canadense Bombardier não poderá vender nos EUA sem fabricar no país, diz Trump

Tarifas de retaliação do Canadá são esperadas para esta terça-feira (08)

Canadense Bombardier não poderá vender nos EUA se não fabricar no país, diz Donald Trump; asas do Global 8000, principal jato da companhia, são produzidas no Texas (Divulgação/Bombardier)
Canadense Bombardier não poderá vender nos EUA se não fabricar no país, diz Donald Trump; asas do Global 8000, principal jato da companhia, são produzidas no Texas (Divulgação/Bombardier)
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (07) que a fabricante de aeronaves canadense Bombardier não teria mais permissão para vender nos Estados Unidos, a menos que começasse a fabricar no país.

“NÃO HAVERÁ MAIS VENDAS DA BOMBARDIER NOS ESTADOS UNIDOS! Seus produtos não são bons o suficiente!”, disse Trump em uma postagem no Truth Social.

“Se querem nosso Mercado, precisam fabricar aqui e parar de tratar os Estados Unidos como um ‘cofrinho’”, disse ele.

A postagem de Trump, que surge em meio a uma crescente disputa comercial entre Washington e Ottawa, foi a mais recente investida em sua campanha para pressionar empresas estrangeiras e nacionais a fabricar mais produtos nos EUA.

O Canadá deve implementar uma onda de tarifas de retaliação contra os Estados Unidos na terça-feira (08).

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre como Trump implementaria a medida ou quais providências tomaria para impedir as entregas de jatos da Bombardier que já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA.

Os jatos da fabricante também estão em conformidade com o acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA) que Trump ajudou a implementar.

Richard Aboulafia, analista do setor aeroespacial norte-americano, afirmou não acreditar que clientes de jatos executivos cancelariam pedidos à Bombardier, nem ver como Trump poderia impedir a venda dessas aeronaves.

Aboulafia ressaltou que a maioria dos jatos particulares da Bombardier utiliza motores norte-americanos, fabricados tanto pela Honeywell Aerospace quanto pela GE Aerospace.

O setor aeroespacial saiu praticamente ileso da guerra tarifária de Trump, com o fluxo de peças e aeronaves não tendo sido afetado pelas tarifas. Segundo a Aerospace Industries Association, associação comercial dos EUA, o setor aeroespacial e de defesa do país registra um superávit comercial de US$109,2 bilhões, com um aumento de 25% nas exportações em termos anuais em 2025.

Assim como o setor automotivo dos EUA, que depende da produção de peças em seu vizinho do norte, a indústria aeroespacial é altamente integrada em escala global.

A Bombardier, sediada em Montreal e rival da fabricante americana de jatos executivos Gulfstream Aerospace, conta com uma força de trabalho de 3.500 pessoas nos EUA e uma rede de 2.800 fornecedores no país, além de fábricas e centros de serviço em território norte-americano. A empresa está inaugurando seu sexto centro de serviço nos EUA e produz as asas de seu principal jato, o Global 8000, no Texas.

A Bombardier já possui uma divisão de defesa com uma fábrica nos EUA, no Kansas, onde prepara aeronaves para missões especiais. Cerca de metade da frota de 5.100 aeronaves operadas por clientes da Bombardier está localizada nos EUA.

A empresa não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários.

Em janeiro, Trump afirmou que os EUA estavam revogando a certificação dos jatos executivos Bombardier Global Express e ameaçou aplicar tarifas de importação de 50% sobre todas as aeronaves fabricadas no Canadá até que o órgão regulador do país certificasse uma série de aviões produzidos pela rival norte-americana Gulfstream. Nenhuma das duas medidas ocorreu, mas, no mês seguinte, o Canadá certificou vários aviões da Gulfstream.

A Bombardier anunciou em 1º de setembro que adquiriria uma fábrica canadense da fornecedora Mitsubishi Heavy Industries 7011.T,⁠ que fabrica asas para as aeronaves Global 5500 e 6500 da fabricante de jatos particulares.

Em julho, a Bombardier informou que sua receita trimestral cresceu 6% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, atingindo US$2,15 bilhões, impulsionada pela forte demanda por serviços de pós-venda.

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