O presidente da China, Xi Jinping, propôs ao presidente americano, Donald Trump, que a inteligência artificial (IA) seja desenvolvida sob controle humano. A proposta foi feita nesta quinta-feira (24), durante visita aos Estados Unidos, logo após o líder chinês ser recepcionado com honras de Estado na Casa Branca.
Segundo Xi, as duas potências, que disputam diretamente a liderança na corrida acelerada pela IA, precisam manter uma relação “sem conflito, nem confronto” para o bem da humanidade.
Ao receber o visitante, Trump classificou a IA, a segurança e a tecnologia como “temas urgentes”.
“As decisões que tomarmos hoje nestes âmbitos podem promover a paz e a prosperidade durante décadas e décadas“, declarou o republicano, que afirmou ter construído uma “verdadeira grande amizade” com Xi.
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Após o encontro, Trump disse a jornalistas que teve uma “ótima reunião” com Xi, segundo informações da AFP. O comentário foi feito na área externa da Casa Branca, em resposta a perguntas gritadas por repórteres, pouco antes de os dois líderes embarcarem no helicóptero presidencial Marine One para um passeio rápido.
Regulamentação da IA
Pouco antes do encontro, o presidente americano havia repetido nas redes sociais que não pretende mudar o rumo das pesquisas do setor, apontado como capaz de transformar a economia global. “Quero deixá-la exatamente onde está”, escreveu.
Trump defende preservar o que enxerga como uma vantagem dos Estados Unidos na área. Pequim vinha evitando comentar as declarações do americano, mas desta vez Xi deixou clara sua posição. “Temos tanto a capacidade quanto a responsabilidade de (…) garantir que o desenvolvimento da IA esteja sempre sob o controle humano“, disse.
Executivos das maiores empresas do setor, entre elas Anthropic e OpenAI, já cobraram esse tipo de regulação diante do avanço rápido das próprias pesquisas. Eles estão entre os convidados do jantar de gala marcado para a noite desta quinta.
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A criação de um canal de comunicação dedicado às preocupações com a IA foi discutida no domingo (20), em conversas preparatórias entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês, He Lifeng.
Xi volta aos EUA após 11 anos
A visita marca o retorno de Xi a Washington 11 anos após sua primeira viagem de Estado à capital americana. Acompanhado da esposa, Peng Liyuan, ele foi recepcionado por Trump e pela primeira-dama, Melania.
Os dois países vivem uma trégua na guerra comercial iniciada com o pacote de tarifas imposto por Trump, ao qual Pequim respondeu com sobretaxas próprias antes de ambos decidirem interromper a escalada. Na quarta-feira (23), após a chegada de Xi, Bessent anunciou que a suspensão será prorrogada por dois meses, até 10 de janeiro.
A China, cuja economia também foi abalada pela instabilidade no Oriente Médio e pela crise no fornecimento de petróleo, tem interesse em preservar o status quo. Trump, por sua vez, busca assegurar a neutralidade chinesa diante de eleições legislativas decisivas em pouco mais de um mês e de um impasse grave na guerra contra o Irã.
Nesse ponto, a posição de Pequim é mais delicada. O conflito, iniciado por Trump em conjunto com Israel, já atinge toda a região do Golfo, incluindo a Arábia Saudita, alvo de ataques dos houthis, aliados de Teerã.
Meios de comunicação dos EUA relatam, com base em fontes anônimas, que a China teria repassado ao Irã dados de inteligência usados em ataques contra militares americanos. “Nossas duas forças armadas devem manter um diálogo regular e melhorar os mecanismos de comunicação e prevenção de crises”, propôs Xi.
Taiwan também faz parte da pauta das conversas. A agenda do presidente chinês termina na manhã de sexta-feira (25), com um chá entre os dois casais presidenciais e uma visita aos Arquivos Nacionais, que abrigam a Declaração de Independência dos Estados Unidos.
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