Os enviados do presidente Donald Trump vão se reunir com autoridades ucranianas e europeias em Miami na sexta-feira (9) para discutir “novas ideias” e buscar uma proposta unificada para encerrar a guerra com a Rússia, disseram duas fontes americanas à AFP.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou as negociações um dia depois de um ataque russo contra ônibus matar 30 pessoas na cidade fronteiriça de Kramatorsk, um dos ataques mais letais em semanas.
“A equipe de negociação ucraniana deve se reunir com Jared Kushner e Steve Witkoff nos EUA amanhã”, disse Zelensky na quinta-feira. “A reunião deve durar dois dias. Também contamos com a participação de uma equipe europeia em nosso grupo de negociação.”
Zelensky afirmou que seu chefe de gabinete, Kyrylo Budanov, e os principais negociadores ucranianos — Rustem Umerov, Sergiy Kyslytsya e David Arakhamia — vão participar das negociações na Flórida.
Os esforços de paz liderados pelos EUA para pôr fim à guerra na Ucrânia estão em grande parte estagnados, com Washington concentrado no conflito com o Irã, embora Kiev afirme que a Rússia intensificou os ataques aéreos.
Mas autoridades americanas disseram que estão fazendo um novo esforço, em formato ampliado, depois que Witkoff, empresário amigo de Trump que se tornou enviado especial, e o genro do presidente, Kushner, visitaram Moscou e Kiev no mês passado.
“Eles vão discutir novas ideias e propostas que os negociadores americanos começaram a desenvolver com os russos e os ucranianos durante a recente visita à região”, disse à AFP uma das fontes americanas que acompanham as negociações.
“Os negociadores americanos também convidaram os conselheiros de segurança nacional do Reino Unido, da França e da Alemanha, além de autoridades da Otan e da União Europeia.”
Autoridades americanas disseram que os enviados vão discutir “garantias de segurança para a Ucrânia, um plano de prosperidade pós-guerra e outros aspectos do conflito”.
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Elas acrescentaram que os europeus manifestaram “frustrações” a Washington em relação aos custos de energia, que Trump atribui aos ataques ucranianos contra refinarias de diesel russas, e não à guerra com o Irã.
“Todos estão nervosos com o inverno. Será um inverno difícil se a guerra não parar”, disse a fonte americana.
“Por isso, os Estados Unidos estão tentando mediar entre as partes envolvidas, com o objetivo de criar uma proposta unificada.”
Zelensky afirmou na semana passada que os Estados Unidos queriam retomar os esforços de paz e tentavam intermediar uma nova rodada de negociações com a Ucrânia e a Rússia até o fim de outubro.
O Kremlin afirmou no mês passado que negociações trilaterais para pôr fim à guerra poderiam ocorrer em outubro.
As rodadas anteriores de negociações não produziram avanços concretos rumo à paz, com Moscou relutante em abrir mão de suas condições maximalistas para encerrar os combates.
Trump afirmou no início desta semana que tinha uma ligação agendada com o presidente russo, Vladimir Putin, embora se esperasse que o foco da conversa fosse a morte de um pesquisador, noticiada recentemente, em um laboratório russo que estuda a peste.
Em um sinal de que a Ucrânia estava em discussão, Witkoff foi visto por repórteres da AFP viajando com Trump no Air Force One na quarta-feira, em uma viagem de campanha ao Texas para as eleições de meio de mandato nos EUA.
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