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EUA vão exibir ao vivo fuzilamento de ex-militar condenado à morte

Ex-militar condenado por matar 13 pessoas será executado em dezembro; ONU denuncia transmissão como forma de tortura

Nidal Hasan, ex-major e ex-psiquiatra do Exército americano, será a primeira pessoa executada por um pelotão de fuzilamento das Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1945 | Foto: Departamento do Xerife do Condado de Bell
Nidal Hasan, ex-major e ex-psiquiatra do Exército americano, será a primeira pessoa executada por um pelotão de fuzilamento das Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1945 | Foto: Departamento do Xerife do Condado de Bell

Os Estados Unidos vão transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de um ex-militar condenado por matar 13 pessoas em uma base do Exército no Texas, em 2009. A medida, anunciada pelo Pentágono, será inédita no país.

Nidal Hasan, ex-major e ex-psiquiatra do Exército americano, será a primeira pessoa executada por um pelotão de fuzilamento das Forças Armadas dos Estados Unidos desde 1945. Marcada para 3 de dezembro, também será a primeira execução militar no país desde 1961.

A execução foi autorizada pelo presidente Donald Trump, por recomendação do secretário de Defesa, Pete Hegseth.

A decisão representa uma mudança na forma como as execuções são realizadas nos Estados Unidos. Veículos de comunicação já tentaram transmitir procedimentos semelhantes pela televisão, mas foram impedidos pela Justiça.

Segundo especialistas em pena de morte, não há registro conhecido de outro país que tenha transmitido pela televisão ou ao vivo uma execução legalmente autorizada.

Governo Trump defende transmissão pública

O secretário de Defesa afirmou que a execução ocorrerá em uma quinta-feira, às 13h, aproximadamente no mesmo dia da semana, horário e local do massacre cometido por Hasan em novembro de 2009.

Durante entrevista ao programa Human Events Daily, Hegseth classificou a escolha do fuzilamento como uma decisão “óbvia” e defendeu que o público possa acompanhar o procedimento.

“Vamos garantir que as pessoas possam assistir, que seja público. Porque as pessoas precisam entender que (…) esse tipo de ato tem consequências graves”, declarou.

Questionado sobre se o condenado havia manifestado algum último desejo, o secretário respondeu: “Não me importo. Veremos isso em 3 de dezembro.”

O governo Trump ampliou os métodos permitidos para a aplicação da pena de morte em casos federais, incluindo fuzilamento, eletrocussão e asfixia por gás. A mudança ocorre em meio a dificuldades para obter os medicamentos usados em injeções letais e a problemas registrados durante a aplicação desse método.

Quem é Nidal Hasan?

Nidal Hasan era psiquiatra e major do Exército americano quando abriu fogo em uma unidade médica da base militar de Fort Hood, no Texas, em novembro de 2009. O ataque deixou 13 mortos e dezenas de feridos. Hasan utilizou uma pistola equipada com mira a laser.

O tiroteio ocorreu poucas semanas antes de ele ser enviado ao Afeganistão. Posteriormente, Hasan afirmou que havia cometido o ataque como retaliação às guerras dos Estados Unidos em países muçulmanos.

Durante a prisão, foi baleado pela polícia, ficou parcialmente paralisado e passou a utilizar cadeira de rodas.

Em agosto de 2013, um tribunal militar o condenou à morte após considerá-lo culpado de 45 acusações de homicídio premeditado e tentativa de homicídio premeditado.

Pelas regras da Justiça Militar americana, uma sentença de morte imposta por uma corte marcial só pode ser cumprida após aprovação do presidente dos Estados Unidos.

ONU classifica transmissão como tortura

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos condenou nesta sexta-feira (9) a decisão americana de transmitir o fuzilamento ao vivo, classificando a medida como uma forma de tortura.

“A transmissão ao vivo de uma execução equivale a uma execução pública e violaria a proibição absoluta da tortura”, afirmou o órgão em manifestação enviada à agência AFP.

Segundo a ONU, execuções públicas constituem tratamento ou punição cruel, desumano e degradante.

O Alto Comissariado também argumentou que a medida violaria o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, tornando a execução arbitrária e representando uma violação do direito à vida.

Execuções públicas são raras no mundo

A última execução pública legalmente autorizada nos Estados Unidos ocorreu em 1936, quando milhares de pessoas acompanharam o enforcamento de um jovem negro condenado por estuprar uma mulher branca.

Atualmente, execuções públicas são extremamente raras. Entre os países que realizaram procedimentos desse tipo nos últimos anos estão o Irã e o Afeganistão, sob o governo do Talibã.

O anúncio americano também ocorre após uma tentativa fracassada de execução por injeção letal no Tennessee, na semana passada.

A condenada Christa Pike permaneceu viva depois que funcionários da prisão não conseguiram concluir o procedimento. Ela ficou inconsciente e foi hospitalizada.

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