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Jurista sul-africana que julgou o genocídio em Ruanda ganha o Nobel da Paz

Navi Pillay foi reconhecida por sua atuação contra crimes de guerra e genocídio; Trump também queria a premiação

A jurista sul-africana Navi Pillay | Divulgação/Nobel
A jurista sul-africana Navi Pillay | Divulgação/Nobel

A jurista sul-africana Navi Pillay foi escolhida como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026, em reconhecimento à sua atuação na defesa dos direitos humanos e na responsabilização por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9), pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo.

Ao justificar a escolha, o comitê destacou a trajetória da jurista e seu compromisso com o direito internacional.

“O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira”, afirmou.

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Pillay presidiu o tribunal internacional responsável pelo julgamento de crimes cometidos durante o genocídio em Ruanda e também liderou uma comissão independente de investigação da ONU que concluiu, em 2025, que Israel cometia genocídio na Faixa de Gaza.

Neste ano, 287 pessoas e organizações foram indicadas ao Nobel da Paz.

Trump queria receber o Nobel da Paz

A escolha de Pillay ocorre após uma campanha pública do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para receber a premiação.

Desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, o republicano tem afirmado que merece o Nobel por sua atuação em conflitos internacionais. Trump alega ter contribuído para encerrar até oito guerras.

Na quarta-feira (7), dois dias antes do anúncio, ele voltou a questionar os critérios da premiação.

“Eles têm a reputação de talvez não conceder o prêmio a pessoas como eu… e acho que isso seria um grande descrédito para eles”, declarou.

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Segundo especialistas ouvidos em Oslo, políticas adotadas pelo governo americano, como os ataques a instituições multilaterais, a postura em relação ao Irã e as declarações sobre a Groenlândia, prejudicaram suas chances de receber o prêmio.

Em 2025, o Nobel da Paz foi concedido à líder da oposição venezuelana María Corina Machado.

Machado chegou a entregar sua medalha do Nobel a Trump, afirmando considerar que o presidente americano merecia a homenagem após a captura de Nicolás Maduro. O gesto, porém, não garantiu o apoio político que ela buscava do governo americano.

Entrega do prêmio será em dezembro

O Prêmio Nobel da Paz de 2026 será entregue em 10 de dezembro, durante uma cerimônia em Oslo, na Noruega. A data marca o aniversário da morte de Alfred Nobel, inventor sueco que criou a premiação por meio de seu testamento.

Além de uma medalha de ouro e um diploma, a vencedora receberá aproximadamente US$ 1,2 milhão.

O Nobel da Paz é o único prêmio da série entregue em Oslo. As demais categorias têm suas cerimônias em Estocolmo, na Suécia.

A temporada de anúncios do Nobel de 2026 será encerrada na segunda-feira (12), com a divulgação do vencedor do Prêmio de Economia.

*Com informações da AFP

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