Autoridades mexicanas prenderam um ex-funcionário das Finanças do estado de Michoacán suspeito de participar de um esquema que usava inteligência artificial para reproduzir a fala de integrantes do poder público. Segundo as investigações, criminosos se passavam por magistrados, governadores e funcionários ligados à presidência da Suprema Corte para enganar vítimas e fazer exigências.
Também foram presos sua esposa, filhos e um segurança, todos supostamente envolvidos nessa rede.
A lei proíbe a divulgação dos nomes completos dos acusados, mas a imprensa o identificou como Luis Miranda Contreras, que atuou como secretário e tesoureiro entre 2012 e 2013 e já havia sido condenado anteriormente por peculato.
As autoridades informaram que Contreras e sua família se passavam por “ministros da Suprema Corte, governadores, prefeitos, assim como servidores públicos da Presidência da República” e que, desde 2021, obtiveram “quantias vultosas ao contatar diretamente suas vítimas, assumindo identidades falsas e recorrendo inclusive a ameaças e extorsão”.
“Para tornar o golpe mais convincente, utilizavam IA para imitar a voz das figuras políticas ou econômicas cujas identidades assumiam”, apontou o comunicado.
Entre as vítimas, havia políticos, funcionários públicos e empresários.
A operação geralmente consistia em duas etapas: um contato inicial feito por alguém que se passava por secretário de um alto funcionário para solicitar um número pessoal e anunciar uma ligação do chefe, que ocorria logo em seguida. Nessa ligação, o suposto alto cargo solicitava — alegando “instruções superiores” — pagamentos, cargos no governo ou a concessão de contratos a sócios.
Golpes com voz de IA
Os golpes envolvendo a imitação de voz dispararam com o desenvolvimento da IA. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram registrados prejuízos superiores a 890 milhões de dólares (R$ 4,43 bilhões) em fraudes viabilizadas por essa tecnologia.
Na Itália, a Promotoria de Milão investiga fraudes milionárias contra bancos que usaram inteligência artificial para clonar vozes e convencer executivos a autorizar transferências. Em fevereiro, o então presidente da Fideuram, Paolo Molesini, aprovou quase € 95 milhões em pagamentos após receber uma mensagem atribuída falsamente ao CEO do Intesa Sanpaolo e falar com uma voz que imitava um advogado conhecido.
Em maio, uma executiva do Banca Ifis foi enganada por método semelhante e autorizou operações de € 23,8 milhões, dos quais cerca de € 20 milhões foram recuperados.
No Brasil, a Polícia Civil de São Paulo prendeu, em maio, oito suspeitos de integrar uma quadrilha que usava inteligência artificial para reproduzir vozes de advogados e enganar clientes. O grupo utilizava dados reais de processos e falsas decisões judiciais para convencer as vítimas a fazer transferências e movimentou cerca de R$ 10 milhões entre outubro de 2025 e abril de 2026, segundo a investigação.
(Com informações da AFP)
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