Os eleitores da província canadense de Alberta votaram por continuar no Canadá no referendo de segunda-feira (19), segundo resultados parciais divulgados nesta terça-feira (20). Com mais de um terço das cédulas apuradas, mais de 76% escolheram a unidade nacional, e as emissoras CBC e CTV projetaram a vitória do campo federalista.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou no X que os moradores de Alberta “fizeram uma escolha clara”.
“Eles escolheram a unidade para construir juntos e cuidar uns dos outros”, escreveu.
O referendo tinha dez perguntas, entre elas várias sobre imigração. A principal, porém, era a última: os eleitores deviam escolher se Alberta continuaria sendo uma província do Canadá ou se iniciaria o processo para um referendo vinculante sobre a separação.
A votação surgiu depois que grupos separatistas coletaram assinaturas para convocar uma consulta popular. Um juiz, no entanto, bloqueou o referendo proposto pelos cidadãos por questões constitucionais. Em seguida, a primeira-ministra de Alberta, a conservadora Danielle Smith, convocou uma votação própria, sem efeito vinculante. A coalizão que ela lidera inclui um número expressivo de separatistas.
Smith votou contra a separação e disse que o referendo serviria para encerrar uma questão que dividia a província. Ela havia prometido iniciar um processo de separação juridicamente vinculante caso a independência vencesse.
Segundo a autoridade eleitoral da província, 1,4 milhão dos 3,1 milhões de eleitores registrados votaram antecipadamente. Antes da votação, as pesquisas indicavam que cerca de 1/4 (um quarto) dos 5 milhões de habitantes de Alberta apoiava a independência.
Por que Alberta discutiu a separação
O movimento separatista cresceu com a insatisfação de parte da população com a política de energia do governo federal. Alberta tem a quarta maior reserva comprovada de petróleo do mundo, segundo a AFP.
Muitos moradores acusavam o ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, antecessor de Carney, de tentar frear a produção de petróleo para cumprir metas climáticas.
“Se você quer que eu aponte quem é responsável pelo sentimento separatista, acho que é Justin Trudeau”, disse Smith ao podcast Canadaland neste mês.
Os separatistas também criticam a aproximação de Carney com a Europa. Em setembro, o primeiro-ministro apoiou uma proposta para que o Canadá se tornasse o primeiro “membro associado” da União Europeia, o que irritou Trump.
“O Canadá está arrastando isso para um buraco negro, liderado por alguém como o Sr. Carney”, disse à AFP Jeffrey Rath, uma das lideranças separatistas, em um comício em Edmonton no sábado (17).
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Interesse de aliados de Trump
A campanha separatista atraiu a atenção de aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Alberta seria uma “parceira natural para os EUA”.
Neste mês, o empresário Elon Musk escreveu no X que Alberta “deveria se separar”. Além disso, líderes separatistas participaram de reuniões no Departamento de Estado americano e se encontraram com políticos republicanos.
Carney, que cresceu em Alberta, alertou antes da votação para o risco de os eleitores contrários à separação não irem às urnas.
“É um blefe perigoso. Isto não é pôquer… isto é o futuro do nosso país”, disse. A votação ocorreu em meio à guerra comercial de Trump contra o Canadá e às ameaças do presidente americano de anexar o país.
Analistas compararam a estratégia de Smith à do ex-primeiro-ministro britânico David Cameron, que convocou um referendo para encerrar o debate sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia. No entanto, o resultado foi o contrário do esperado: o país acabou deixando o bloco, no processo conhecido como Brexit.
O Canadá também enfrenta um movimento pela independência na província de Quebec, de língua francesa. O Parti Québécois, que venceu as eleições provinciais no início de outubro, prometeu realizar um novo referendo sobre a separação.
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(Com informações da AFP)
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