O governo da França vai mobilizar militares para reforçar a segurança durante os protestos previstos para sábado (24), afirmou nesta terça-feira (20) o ministro do Interior, Laurent Nuñez. Segundo ele, os soldados da força Sentinelle vão substituir policiais em outras funções. Dessa forma, as forças de segurança poderão se concentrar na manutenção da ordem nas ruas.
O anúncio veio depois de um fim de semana de distúrbios, com saques em mais de 3 mil lojas no centro de grandes cidades. Pouco antes, na Assembleia Nacional, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu havia prometido um policiamento “massivo” no sábado e um “retorno imediato à ordem”. A oposição, por sua vez, criticou o governo pela falta de preparo para os atos de sábado (17).
Além disso, Lecornu acusou grupos de extrema esquerda de planejar uma “insurreição” durante os protestos. Segundo as autoridades, criminosos se juntaram a esses grupos para saquear as lojas.
Incêndio em prédio histórico
Também nesta terça, a polícia prendeu um homem de 34 anos suspeito de incendiar a prefeitura de Limoges, no centro do país. O prédio, de 1883 e tombado como patrimônio histórico, teve o telhado e o campanário destruídos no sábado.
Segundo uma fonte ouvida pela AFP, o suspeito já era monitorado pela polícia por ligação com movimentos de extrema esquerda. Além disso, a Subdireção Antiterrorismo foi acionada, e os promotores vão decidir se o caso será investigado como terrorismo.
Enquanto isso, o prefeito de Limoges, Guillaume Guérin, de direita, criticou a polícia, que, segundo ele, “recuou” diante dos manifestantes. “O Estado falhou”, afirmou. Já o primeiro-ministro deve visitar a cidade na sexta-feira (23).
Toque de recolher e prisões
Segundo o governo, os toques de recolher noturnos nas áreas mais atingidas ajudaram a acalmar as ruas na noite de segunda-feira (19). Por isso, Lecornu disse que a medida pode ser estendida até o fim da semana. Em Marselha, o toque de recolher para menores nas áreas comerciais começou na noite desta terça.
Ao mesmo tempo, o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou que cerca de 2.500 pessoas continuavam detidas para interrogatório e que 149 estavam presas à espera de julgamento. Segundo ele, pessoas sem antecedentes criminais estão indo para a prisão depois de julgamentos rápidos.
Mesmo assim, a federação estudantil Unef prometeu manter os protestos, e grupos ligados aos “coletes amarelos” convocaram atos contra a alta dos combustíveis. Já a CGT, uma das principais centrais sindicais do país, não aderiu à convocação para sábado.
+Protestos estudantis por melhores condições de ensino se espalham pela Europa
(Com informações de Reuters e AFP)
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